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12 de Outubro – Dia das crianças interiores

O dia das crianças é uma das datas do calendário brasileiro criada pelo comércio com a finalidade de intensificar as vendas em momentos do ano pouco produtivos.

heart-3096380_640Há registros de que o 12 de outubro foi oficialmente dedicado às crianças em 1924, por decisão do então presidente Arthur Bernardes.

A despeito do real motivo por trás da data, porém, o fato é que muitos de nós esta semana nos preparamos para devotar mimos e presentes para os meninos e meninas de nosso convívio.

Penso como seria bom se pudéssemos aproveitar o ensejo para consagrar algum tempo e esforço às nossas próprias “crianças interiores”!

Crianças pequenas são livres. Permitem-se vivenciar o que têm vontade. Abusam do que lhes traz prazer. Se sofrem, é apenas pelo tempo necessário e suficiente para curar a dor. Não se ocupam das coisas que ainda não aconteceram (não se pré-ocupam). Não calam seus desejos e opiniões.

Conforme crescem, e passam pelo processo de educação / socialização, aprendem que a vida em sociedade depende da renúncia de algumas dessas liberdades.

Aqui trago um contraponto.

O médico e psicanalista Wilhelm Reich (1897-1957) constatou em sua época que muitos pais e mães demonstravam aquilo que ele chamou de “compulsão para educar”. Um ímpeto de castrar (para usar um termo também psicanalítico) a realização dos desejos infantis muito além do que seria razoavelmente necessário em termos de educação / socialização. Uma atitude de “educar” de maneira exagerada.

Embora muito diferente da atmosfera vitoriana vivida por Reich, o mundo contemporâneo – a meu ver – continua a interditar o desejo das crianças de forma desnecessária.

Ora – alguns talvez dirão – muitas crianças de hoje não sabem ouvir um “não”, são “mimadas”, justamente porque os pais fazem tudo que elas desejam.

Penso diferente.

A compreensão de alguns pais, de que permitir que a criança faça “tudo o que quiser”, de que enchê-la de presentes, pode suprir a ausência e a distância deles enquanto responsáveis, é um equívoco.

Ao invés de educar para a liberdade, essa postura cria nos pequenos e nas pequenas baby-1606572_640“quereres” outros, de cunho egoísta e consumista.

Ainda deixamos de viver experiências autenticamente interessantes, como correr, gritar, opinar, comer ou beber o que dá vontade. Aqueles que nos educam temem a liberdade, porque assim aprenderam a fazer em sua própria infância, e nos afastam dela, como aliás fazem com tudo aquilo que julgam perigoso.

Portanto, desejo que nesse dia das crianças, cada um de nós possa presentear sua própria criança interior (se possível, sem recorrer às compras).

Conceda-se um tempo consigo, faça um passeio, visite um lugar novo, corra, grite… experimente novamente a liberdade sufocada na infância!

Muitas vezes, experiências aparentemente singelas são o início de um processo de autodescoberta e libertação.

 

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