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Será que vivemos a geração “Mimimi”?

Certa vez, ouvi de alguém uma ótima definição sobre bullying: se você faz uma “brincadeira” e a outra parte não se diverte, então não foi uma brincadeira.

No último fim de semana, disse algo que ofendeu uma pessoa.

Tenho visto muita gente reclamar que vivemos um tempo de muito “mimimi”. “Hoje em dia, as pessoas se ofendem por qualquer coisa” – dizem.

Será?

Antigamente, era comum que se usassem apelidos como “gordo”, “baleia”, “tição”, girafa”, “vesgo”. Piadas com pessoas deficientes, obesas, homossexuais, estrangeiras etc. eram igualmente populares.

O que aconteceu desde então?

Por um lado, diversos movimentos sociais (organizados ou não) incentivaram a consciência do cunho ofensivo desses dizeres.

Todo ser humano é um complexo emaranhado de histórias, experiências, modos de ser e pensar. É nosso direito sermos reconhecidos e respeitados por essa multiplicidade que nos constitui.

Assim, quando alguém se refere a nós usando uma espécie de etiqueta (este é “gordo”, este é “preto”, este é “manco”), ressaltando algo em que somos diferentes da maioria, está nos fazendo menores do que somos, está nos reduzindo em relação à grandiosidade do nosso ser.

Por outro lado, apelidos, piadas e outros tipos de comentários afins já faziam com que muitos se sentissem ofendidos tempos atrás. Porém, não havia espaços sociais em que essas pessoas pudessem expressar seu descontentamento, de modo que preferiam calá-lo. Qualquer reclamação poderia, inclusive, agravar o teor das ofensas (há um dito popular que diz “o apelido que ‘pega’ é aquele de que você não gosta”!).

Podemos considerar um avanço o fato de que, hoje, mais pessoas têm consciência de seus direitos e são capazes de manifestar sua insatisfação quando se sentem insultadas.

Ao invés de protestar contra o “mimimi”, que tal repensarmos o modo como agimos em relação aos nossos semelhantes?

Isso vale para piadas, apelidos e brincadeiras, mas também para a confecção de peças publicitárias, catálogos de produtos, programas de televisão, conversas de bar, comentários em redes sociais, e onde mais houver interação entre seres humanos.

No começo do texto, disse que ofendi uma pessoa. Espero a oportunidade de pedir-lhe desculpas pessoalmente. Respeito profundamente seu sentimento, ainda que minha intenção de momento não fosse essa.

Não importa. Eu não tenho o direito de ofender ninguém.

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