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QUANDO A FERIDA NÃO CICATRIZA… CONHEÇA O TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

O Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) começa, como o próprio nome diz, por um trauma.

O trauma psicológico é uma situação de sofrimento intenso, superior à capacidade de assimilação do sujeito. O trauma se constitui como um acontecimento absurdo, sem sentido ou impensável na experiência cotidiana. Pode ser uma ameaça à segurança, à vida (própria ou de entes queridos), uma vivência de desamparo ou formas diversas de violência.

Exemplos de eventos potencialmente traumáticos são: assaltos, abusos, sequestro, tortura, acidentes (automobilísticos, incêndios, inundações).

No trauma, as tentativas de reequilíbrio e autoproteção não conseguem dar conta da dor provocada. A ocorrência pode ser inédita ou significar um acúmulo de outras anteriores semelhantes.

Não existem critérios objetivos para determinar o que pode ser traumático para cada sujeito. A dor que é facilmente assimilada por uma pessoa pode ser traumática para outra. A incidência do TEPT se relaciona com a maneira como cada pessoa avalia e atribui significado ao que lhe acontece.

O próprio paciente pode ter dificuldade de identificar a natureza de seu trauma, uma vez que, entre a ocorrência traumática e os primeiros sintomas do TEPT, podem se passar meses ou até anos.

Não é preciso se envolver numa situação de catástrofe ou perigo de morte para vivenciar algo como traumático. Basta que, de alguma forma e por qualquer motivo, o sujeito se perceba impossibilitado ou incapaz de lidar com uma dada situação.

Mas nem toda situação traumática conduz a sintomatologia compatível com o TEPT. Por exemplo, a infância é um período da vida em que, dada a fragilidade psicológica, sempre ocorrem muitas situações que excedem a capacidade de compreensão / assimilação. Isso não significa que todos os sujeitos desenvolverão TEPT. Algumas marcas podem restar, até gerar um incômodo (e ser alvo da psicoterapia!), mas não vão se assemelhar ao que descrevemos aqui como Transtorno Pós-Traumático.

Embora tenha critérios diagnósticos previstos no DSM IV e no CID 10 (abaixo), o TEPT pode se manifestar de forma subclínica (sem que todos os critérios de diagnóstico sejam preenchidos).

É importante que o profissional esteja atento a estas manifestações, de modo a respeitar e tratar adequadamente o sofrimento do paciente.

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CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO

A. A – A pessoa foi exposta a um acontecimento traumático em que ambas as condições seguintes estiveram presentes:

1. A pessoa experimentou, observou ou foi confrontada com um acontecimento ou acontecimentos que envolveram ameaça de morte, morte real ou ferimento grave, ou ameaça à integridade física do próprio ou de outros;

2. A resposta da pessoa envolve medo intenso, sentimento de desproteção ou horror.

B. B – O acontecimento traumático é re-experienciado de modo persistente de um (ou mais) dos seguintes modos:

1. Lembranças perturbadoras intrusivas e recorrentes do acontecimento que incluem imagens, pensamentos ou percepções;

2. Sonhos perturbadores recorrentes acerca do acontecimento;

3. Atuar ou sentir como o se o acontecimento traumático estivesse ocorrendo de novo (inclui a sensação de estar revivendo a experiência, ilusões, alucinações e episódios de flashback dissociativos, incluindo os que ocorrem ao acordar ou quando intoxicado);

4. Mal-estar psicológico intenso com a exposição a estímulos internos ou externos que simbolizem ou se assemelhem a aspectos do acontecimento traumático;

5. Reatividade fisiológica durante a exposição a estímulos internos ou externos que simbolizem ou se assemelhem a aspectos do acontecimento traumático.

C. C – Evitamento persistente dos estímulos associados com o trauma e embotamento da reatividade geral (ausente antes do trauma), indicado por três (ou mais) dos seguintes:

1. Esforços para evitar pensamentos, sentimentos ou conversas associadas com o trauma;

2. Esforços para evitar atividades, lugares ou pessoas que desencadeiam lembranças do trauma;

3. Incapacidade para lembrar aspectos importantes do trauma;

4. Interesse ou participação em atividades significativas fortemente diminuídos;

5. Sentir-se desligado ou estranho em relação aos outros;

6. Gama de afetos restringida;

7. Expectativas encurtadas em relação ao futuro.

D. D – Sintomas persistentes de aumento de ativação (ausentes antes do trauma), indicados por dois (ou mais) dos seguintes:

1. Dificuldade em adormecer ou em permanecer dormindo;

2. Irritabilidade ou acessos de cólera;

3. Dificuldade de concentração;

4. Hipervigilância;

5. Resposta de alarme exagerada.

E. E – Duração da perturbação superior a um mês

F. F – A perturbação causa mal-estar clinicamente significativo ou deficiência no funcionamento social, ocupacional ou qualquer outra área importante.

Aguda: se a duração dos sintomas é inferior a 3 meses.

Crônica: se a duração dos sintomas é igual ou superior a 3 meses.

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MANEJO CLÍNICO

Além do TEPT, a vivência de situações traumáticas pode originar outros problemas psicológicos, como crises de ansiedade / pânico, o que pede do profissional uma avaliação ampla e cuidadosa.

O paciente que procura ajuda terapêutica em geral reporta memórias intrusas (contra a sua vontade) e recorrentes do acontecimento traumático, sentindo como se aquilo estivesse acontecendo novamente (flashbacks), tem pesadelos perturbadores (com ou sem insônia), agitação excessiva, evita situações, pessoas ou conversas que lhe lembrem o trauma etc.

Dada a característica violentamente aguda de seus sintomas, o terapeuta pode sentir-se tentado a tratá-lo de modo exclusivamente sintomático (medicamentoso e/ou por meio de técnicas cognitivo-comportamentais, como o tão divulgado EMDR).

Sem desconsiderar essa possibilidade, que pode atender a um desejo de natureza imediata do próprio paciente, vale ressaltar que outras abordagens psicoterapêuticas podem levar o paciente a:

– Diminuir a pressão psicológica represada em sentimentos de raiva / ódio pela situação vivida;

– Livrar-se da sensação de culpa pelo ocorrido;

– Compreender o desespero como manifestação do elo entre o trauma ocorrido e outras situações vividas ou fantasiadas

– Compreender o desespero como manifestação do elo entre o trauma ocorrido e a própria mortalidade

Entre outras possibilidades, a serem investigadas junto a cada paciente, de forma particular.

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Psicólogo Msc. Rodrigo Giannangelo
CRP 06/56201-2

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