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Psicologia do desenvolvimento – A Teoria do Ciclo Vital de Erik Erikson

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Erik Homburger Erikson (1902 – 1994) foi um influente Psicanalista e Psicólogo do desenvolvimento, nascido na Alemanha e radicado nos EUA.

Pesquisa realizada pelo Review of General Psychology, 2002, o apontou como 12° psicólogo mais citado do século XX.

Versado em psicanálise freudiana, Erikson propõe uma modificação na maneira como a teoria de Freud compreende o desenvolvimento psíquico. Enquanto o pai da psicanálise enfatiza a importância da sexualidade e a ação do Inconsciente no desenvolvimento psíquico da criança (desenvolvimento psicossexual), Erikson se detém no aspecto social (experiências interativas) como chave para buscar uma compreensão sobre o desenvolvimento (desenvolvimento psicossocial).

Outro fato distintivo da psicologia do desenvolvimento de Erikson é que ela aborda não apenas a infância e a adolescência, mas toda a vida do sujeito (ciclo vital), embora reconheça a peculiar importância das primeiras fases.

Para Erikson, o desenvolvimento humano ocorre ao longo de toda a vida, sempre a partir de crises.  Crise é o termo que o autor utiliza para dizer que, em cada fase do desenvolvimento, há um par de ideias opostas (uma contradição) que se coloca frente ao sujeito. A resolução dialética desta oposição levará à aquisição de uma qualidade psicológica nova (uma característica).

São 8 os estágios de desenvolvimento identificados pelo autor:

– ESTÁGIO 1 (Nascimento – 1 ano)                 

Crise: Confiança X Desconfiança

  • A criança é totalmente dependente de seus cuidadores para sobreviver – comida, limpeza, amor, carinho, segurança, cuidados médicos etc.
  • Desenvolvimento baseado na confiabilidade e qualidade dos cuidadores
  • Se a criança desenvolve com sucesso a confiança, se sente segura
  • Cuidadores inconsistentes, emocionalmente indisponíveis, descuidados, contribuem para a desconfiança
  • Confiança excessiva desenvolve ingenuidade. Desconfiança excessiva resulta em medo e insegurança
  • O equilíbrio entre o par de opostos desenvolve a qualidade psicológica chamada de esperança (abertura à experiência, com algum receio do perigo)

– ESTÁGIO 2 (1 ano – 3 anos)

Crise: Autonomia X Vergonha e dúvida

  • A criança começa a ganhar alguma independência, executando ações básicas por conta própria e tomando decisões simples sobre o que prefere
  • Ao permitir que ela faça escolhas e tenha algum controle, pais e cuidadores ajudam a desenvolver um senso de autonomia
  • Como Freud, Erikson também acredita que o treino da toalete é uma parte vital desse processo
  • Outros eventos importantes: escolhas alimentares, preferências de brinquedo, seleção de roupas etc.
  • Crianças que concluem com êxito esta fase se sentem seguras e confiantes, enquanto aquelas que não o fazem têm sentimentos de inadequação, vergonha e insegurança
  • A obtenção de um equilíbrio entre a autonomia X vergonha e dúvida leva à vontade (crença de que se pode agir com intenção, dentro de limites)

– ESTÁGIO 3 (3 anos – 6 anos)

Crise: Iniciativa X Culpa

  • A criança começa a afirmar seu poder e controle sobre o mundo, liderando jogos e outras interações sociais
  • Equilíbrio nesta fase leva a criança a se sentir capaz (inclusive de conduzir os outros). Aquelas que não conseguem adquirir essas habilidades têm sentimento de culpa, duvidam da própria capacidade e lhes falta iniciativa
  • O equilíbrio entre a iniciativa individual e uma vontade de trabalhar com outras pessoas leva à qualidade do ego conhecida como finalidade

– ESTÁGIO 4 (6 anos – 12 anos)

Crise: Produtividade X Inferioridade

  • Através das interações sociais, a criança começa a desenvolver um sentimento de orgulho por suas realizações e habilidades
  • Crianças que são encorajadas e elogiadas desenvolvem um sentimento de competência e crença em suas habilidades. Aquelas que recebem insuficiente incentivo vão duvidar de suas habilidades em ser bem-sucedidas
  • O equilíbrio nesta fase leva à qualidade conhecida como competência (crença nas próprias capacidades para lidar com as tarefas que surgem diante de si)

– ESTÁGIO 5 (13 anos – 20 anos)

Crise: Identidade X Confusão de papéis

  • Adolescentes: exploram sua independência e desenvolvem um sentido de si
  • Aqueles que recebem incentivo e reforço adequados através da exploração pessoal vão emergir desta fase com um forte senso de si mesmas e uma sensação de independência e controle.  Aquelas que permanecem inseguras de suas crenças e desejos vão se sentir inseguras e confusas sobre si mesmas e o futuro
  • Concluir esta etapa leva com sucesso para a fidelidade (capacidade de viver de acordo com as normas e as expectativas da sociedade)

– ESTÁGIO 6 (21 anos – 40 anos)

Crise: Intimidade X Isolamento

  • Desenvolvimento de relações estreitas e comprometidas com outras pessoas
  • Sucesso nesta etapa permite a formação de relacionamentos duradouros e seguros
  • Cada etapa se baseia em habilidades aprendidas nas etapas anteriores: um forte senso de identidade pessoal é importante para o desenvolvimento de relações íntimas
  • Estudos têm demonstrado que pessoas com um mau senso de si tendem a ter relações menos comprometidas e são mais propensas a sofrer isolamento emocional, solidão e depressão
  • Resolução desta etapa resulta na qualidade conhecida como amor (capacidade de formar relacionamentos duradouros e significativos com outras pessoas

– ESTÁGIO 7 (41 anos – 65 anos)   

Crise: Generatividade X Estagnação

  • Durante a idade adulta, o indivíduo continua a construir sua vida, com foco na carreira e na família
  • Os bem-sucedidos nesta fase sentem que estão contribuindo para o mundo por serem ativos em casa e na comunidade.  Aqueles que não conseguem atingir essa habilidade se sentem improdutivos e não envolvidos no mundo
  • Cuidado é a virtude alcançada por este estágio. Ser orgulhoso de suas realizações (profissionais e familiares, como filhos crescendo) é importante nesta fase

– ESTÁGIO 8 (+ 65 anos)

Crise: Integridade X Desespero

  • Velhice: o indivíduo olha para os acontecimentos da vida e percebe se está feliz com a vida que viveu ou se está arrependido das coisas que fez ou deixou de fazer
  • O indivíduo pode sentir que sua vida tem sido desperdiçada e experimentar amargura e desespero
  • O indivíduo que se orgulha de suas realizações tem uma sensação de integridade
  • Concluir com sucesso esta fase significa olhar para trás com poucos arrependimentos e um sentimento geral de satisfação. Essas pessoas irão atingir a sabedoria, mesmo quando confrontadas com a morte

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