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Apoio psicológico ao paciente com câncer aumenta sobrevida

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Os avanços técnicos e científicos na Medicina para tratamento do câncer tem avançado espantosamente nas últimas décadas.

Doenças como a leucemia promielocítica aguda (LPA), um tipo agressivo de câncer do sangue e da medula óssea, que há 30 anos significava quase uma sentença de morte, há 10 anos teve seu risco de morte precoce reduzido pela metade no Brasil.

Mas o longo histórico de prognósticos ruins, associado ao fato de que ainda se trata de uma enfermidade grave, ainda costuma lançar o paciente, seus familiares e amigos diante da questão da finitude de maneira bastante dramática.

Além disso, a agressividade dos tratamentos contra o câncer ainda implica grandes desafios para os doentes, seus cuidadores e todos os profissionais de saúde envolvidos.

Por conta de da complexidade de toda essa situação, uma porção significativa (estima-se algo entre 25 a 35%) dos doentes com câncer apresentam sintomas clinicamente significativos de sofrimento emocional, desde sentimentos de vulnerabilidade, tristeza e medo, a problemas que podem tornar-se incapacitantes.

Desde 2006, o sofrimento psíquico do paciente com câncer foi declarado como o “6º sinal vital”, ou seja, como um dos critérios fundamentais a avaliar e controlar nos que padecem da doença.

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DIMENSÃO PSICOSSOCIAL

A Psico-Oncologia é uma disciplina de interface entre a Psicologia e a Oncologia, que se centra no estudo das dimensões psicossocial e psicobiológica do câncer.

Tem por principais objetivos estudar e intervir sobre as respostas psicológicas dos doentes de câncer, suas famílias e cuidadores, em todas as fases da doença, assim como estudar a influência dos fatores psicológicos, comportamentais e sociais no processo de doença, nomeadamente na sua origem e curso.

São vários os sintomas psicológicos que, identificados, merecem ser alvo de uma avaliação mais profunda e, eventualmente, de uma intervenção psicológica especializada. Por exemplo, sentimentos persistentes de tristeza, culpa ou desespero; agitação, ansiedade e irritabilidade; e perda de interesse nas atividades habituais, entre outros.

A maioria destes sintomas tendem a ser mais acentuados na fase inicial após o diagnóstico, diminuindo progressivamente à medida em que o doente vai encontrando recursos para fazer face aos desafios e exigências inerentes ao curso natural da doença e do tratamento.

Caso permaneçam por períodos muito prolongados, porém, e interferiram com o normal processo de adaptação psicológica, poderão mesmo trazer dificuldade à adesão terapêutica e à eficácia do tratamento.

Outros sintomas como o isolamento ou desinvestimento das relações sociais, nomeadamente do relacionamento íntimo e sexual com o(a) companheiro(a), dificuldade em lidar com a autoimagem e autoestima diminuída, são outros aspetos que não podem ser negligenciados.

Além disso, situações de recusa em aceitar o diagnóstico e as mudanças que a doença impõe na vida de doentes e familiares, dificuldade em lidar com o medo e incerteza quanto ao futuro e ao prognóstico, problemas comunicacionais com os profissionais de saúde e gestão de processos de luto, no caso de familiares e cuidadores, são mais alguns motivos subjacentes aos pedidos de apoio psicológico.

O cuidado psicológico tem se mostrado benéfico não apenas no que diz respeito ao bem-estar e qualidade de vida dos doentes oncológicos mas, indiretamente, nos indicadores biológicos e até na sobrevida. Por exemplo, a intervenção psicológica visa a uma redução da sintomatologia ansiosa e depressiva, sintomas que podem suprimir os sistemas imunológico e neuroendócrino, atrapalhando a cura. Assim, a intervenção psicológica pode conferir, segundo alguns estudos, um benefício de 1 a 2 anos de vida aos doentes que dela usufruem.

CUIDADORES DE REFERÊNCIA

A Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (http://sbpo.org.br/) é referência na formação, associação e certificação de profissionais aptos ao desafio de desenvolver cuidados psicológicos a pacientes oncológicos.

Caso você precise de alguma informação ou indicação, entre em contato pelo site acima ou contato@sbpo.org.br

Prof Rodrigo Giannangelo
CRP 06/56201-2

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