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Sigmund Freud – Teoria do Desenvolvimento Psicossexual

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Sigmund Schlomo Freud (1856 – 1939) nasceu num município da atual República Checa. Foi um médico neurologista que se celebrizou como “pai da psicanálise”, uma compreensão teórica e proposta clínica em psicologia.

Em levantamento realizado em 2002, pelo Review of General Psychology, Freud foi apontado como o 3° psicólogo mais citado do século XX.

As ideias freudianas foram influenciadas por pessoas de diversas áreas, desde a Filosofia (como Brentano), à Psicologia (Fechner), passando pela própria Medicina (Breuer).

Nessa época, havia um enorme contingente de pacientes (em geral, do sexo feminino), chamadas histéricas, com sintomas físicos como paralisias, afasias, dores, desmaios etc., sem que os exames médicos disponíveis conseguissem encontrar uma causa.

Freud inicia seu trabalho com a histeria utilizando técnicas de hipnose (o que abandonaria mais tarde). Aos poucos, começa a perceber que a “causa” da histeria não está em uma anormalidade física (anatômica ou funcional), mas em significados ocultos na psique da paciente. Buscando esses conteúdos inconscientes, desenvolve um método para refazer a trama de vivências, traumas, mal-entendidos e fixações que levou à enfermidade, utilizando para isso, a palavra (talking cure).

Como Freud entende a psique?

A compreensão freudiana foi sendo modificada ao longo do tempo, conforme ele aprofundava seu trabalho clínico e seus esboços teóricos.

Basicamente, podemos dividir sua compreensão da psique humana em dois momentos, conhecidos como 1ª e 2ª tópicas.

1ª TÓPICA (1900 – 1920)

Freud percebe que a maior parte daquilo que compõe nossa vida psíquica não está acessível a nossa consciência.

Em primeiro lugar, é inconsciente nossa dimensão pulsional, ou seja, a porção inata de nossas necessidades e desejos, que busca satisfação.

Além disso, por meio dos mecanismos de repressão e recalque, certos conteúdos vão sendo pressionados a sair da consciência, por serem assustadores, inadequados ou absurdos.

2ª TÓPICA (1920 em diante)

Freud refina sua compreensão sobre a psique a partir do estabelecimento de três instâncias psíquicas, o Id, o Ego e o Superego.

– CARACTERÍSTICAS DO ID

Reservatório de energia, sede dos impulsos que motivam o indivíduo a buscar a satisfação de suas necessidades;

Funciona pelo “princípio do prazer” – satisfação imediata e imperativa, a qualquer preço, sem questionar a adaptação do que deseja à realidade física, social ou moral;

Forma, no imaginário, o objeto que permitirá suas satisfações;

Desconhece o princípio da não-contradição, ou seja, pode comportar desejos contraditórios e excludentes;

Não compreende passado ou futuro, apenas o presente. RECORDAR ou REVIVER é o mesmo que VIVER;

Não-verbal, mas imagético.

– CARACTERÍSTICAS DO EGO

Surge na psique como uma diferenciação do ID;

Intermediário entre o desejo e a realidade (função mediadora);

Dá o juízo de realidade, para viabilizar a satisfação dos desejos do ID;

Estabelece os limites relativos às censuras impostas pelo SUPEREGO e ao querer sem limites do ID;

Domina as capacidades lógicas do pensamento e da memória;

Domina a motilidade, o esquema corporal, a práxis, a atuação do corpo no mundo concreto;

Sede da angústia, pois é o responsável pela detecção dos perigos reais e psicológicos que ameaçam a integridade do sujeito.

– CARACTERÍSTICAS DO SUPEREGO

Surge da internalização dos valores e das normas sociais pelo indivíduo;

Define o que é moralmente condenável, e deve ser proibido (CONSCIÊNCIA MORAL), e o que é moralmente valorizado, e deve ser buscado (EGO IDEAL).

DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL

Na psicanálise de Freud, a quase totalidade da psique humana se desenvolve ainda na tenra infância.

Desde seu nascimento, e conforme vai crescendo, a criança passa por diferentes estágios, em que a energia da busca do prazer (ID) se foca em determinadas áreas erógenas (partes do corpo especialmente sensíveis onde a estimulação pode provocar prazer).

Essa energia que busca prazer e satisfação físicos é denominada libido, e foi descrita por Freud como de natureza sexual.

Enquanto atravessa as fases de seu desenvolvimento psicossexual, diversas situações podem provocar problemas e impedir que a criança progrida naquele estágio. Quando isso ocorre, o indivíduo pode se fixar (ficar preso) na fase, até que o conflito seja resolvido (o que, muitas vezes, só vai acontecer muito tempo depois, na análise).

FASES DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL

– FASE ORAL (Nascimento – 1 ano)

Área erógena: boca  

Fonte primária de interação: boca

A criança obtém prazer da estimulação oral, por meio de atividades gratificantes, como degustar e chupar.

Total dependência de seus cuidadores – sentimento de confiança e conforto através da estimulação oral que ocorre durante a alimentação.

– FASE ANAL (1 a 3 anos)

Zona erógena: Entranhas e controle da bexiga

Foco principal da libido: controle da bexiga e evacuações

Importância do treinamento da toalete – a criança começa a aprender a controlar suas necessidades corporais, o que leva a um primeiro sentimento de realização e independência.

Pais que utilizam elogios e recompensas para usar o banheiro no momento oportuno incentivam resultados positivos e ajudam as crianças a se sentir capazes e produtivas.

Pais que punem com ridicularização ou vergonha os acidentes das crianças, ou começam o treinamento da toalete muito cedo, podem propiciar uma personalidade anal-retentiva, na qual o indivíduo é rigoroso, ordenado, rígido e obsessivo.

– FASE FÁLICA (3 a 6 anos)

Zona erógena: Genitais

Foco principal da libido sobre os órgãos genitais

Crianças começam a descobrir as diferenças entre homens e mulheres.

Os meninos começam a ver seus pais como rivais pelo afeto da mãe.

Complexo de Édipo: sentimento de querer possuir a mãe e o desejo de substituir o pai.

A criança teme ser punida pelo pai por estes sentimentos, um medo que Freud chamou de “angústia de castração”.

A criança começa a se identificar com o genitor do mesmo sexo como um meio de, indiretamente, possuir o outro genitor.

– PERÍODO DE LATÊNCIA (6 anos – puberdade)

Zona erógena: sentimentos sexuais são inativos

Interesses sexuais da libido são suprimidos

Desenvolvimento do ego e do superego contribui para este período de “calma” libidinal. Criança sente que seus impulsos fálicos anteriores eram “errados”, imorais, e os reprime.

Início da escolarização propicia foco nas relações entre colegas, hobbies e interesses intelectuais.

Esta etapa é importante para o desenvolvimento de habilidades sociais e de comunicação e autoconfiança.

– FASE GENITAL (Puberdade em diante)

Zona erógena:  Início das práticas sexuais e exploração de áreas erógenas

O indivíduo desenvolve um forte interesse sexual por um dos sexos

O interesse genuíno pelo bem-estar dos outros cresce durante esta fase

Se as outras etapas foram concluídas com êxito, o indivíduo deve agora ser bem equilibrado, terno e carinhoso.

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