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Entenda o que são Crises de Pânico e Agorafobia

Ai, ai! Ai, ai! .. Vou chegar atrasado demais!

As aventuras de Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll

Com esta frase, que será repetida muitas vezes ao longo da história, um coelho branco se apresenta a Alice.

Durante todo o enredo, não descobrimos qual o compromisso do coelho, nem o motivo de tanta pressa.

De certa maneira, sua pressa parece ter fim em si mesma. Ele é alguém apressado, porque aprendeu que deve ser assim.

Nessa próxima frase, o coelho deixa isso bem claro:

É preciso correr muito para ficar no mesmo lugar. Se você quer chegar a outro lugar, corra duas vezes mais.

Ou seja, no País das Maravilhas, metáfora do nosso mundo, correr / ter pressa não está ligado à necessidade urgente de chegar a um compromisso, mas é uma condição de vida. É preciso correr para ficar no mesmo lugar!

Subentende-se assim que, se não correr, o sujeito não ficará apenas “para trás”, mas, possivelmente, será tragado pelo próprio mundo…

Acho difícil imaginar que exista alguém que NUNCA se sentiu ansioso.

Mesmo a pessoa mais calma, em algumas situações, pode sentir esse desejo de “acelerar o tempo” que chamamos de ansiedade.

Mesmo assim, entender o que é uma crise de pânico não é uma tarefa simples, a não ser para quem já esteve na situação.

Tente imaginar a maior ansiedade que você já viveu. Você é capaz de reconhecer os sinais da ansiedade: pensamento acelerado, um aperto no peito, uma sensação de insegurança.

Agora imagine que esses sinais vão crescendo a tal ponto que, fisicamente, a impressão é de que você está à beira de um mal súbito (um desmaio, um ataque cardíaco, ou mesmo a morte), e, psicologicamente, tudo a sua volta lhe parece distante e irreal.

A boca seca, a garganta estreita. Vem uma tontura, suor frio, o estômago embrulha.

O raciocínio parece escapar-lhe completamente. Só pensamentos negativos e pessimistas tomam conta da consciência.

Algumas partes do corpo podem ficar dormentes ou extremamente tensas.

Está tudo tão desesperadamente acelerado que é difícil até comunicar para alguém próximo o que está acontecendo. Quanto mais o corpo e a mente aceleram, mais paralisado você vai ficando.

Pessoas em volta podem dizer que está tudo bem, podem pedir que se o sujeito se acalme, sem sucesso. Durante a crise de pânico, todas aquelas sensações terríveis, descritas até aqui, são mais reais para o sujeito do que qualquer advertência ou conselho vindo de fora.

Depois do ataque de pânico, a sensação do indivíduo é de que ele correu uma maratona: que cansaço!

Junto, vem uma espécie de “ressaca” psicológica: a pessoa se sente mal por ter se sentido mal. Por vezes, se culpa, ou então se sente fragilizada por ser suscetível àquele nível de estresse emocional, fica triste pelo que aconteceu etc.

Pois imagine que há pessoas que passam por essas crises quase diariamente…

Trata-se de um círculo vicioso. Como a crise é muito sofrida, depois de passar pela primeira, a pessoa fica com muito medo de que possa lhe acontecer de novo.

Esse medo a deixa mais ansiosa, preocupada. E quanto mais ansiosa, mais próxima de uma nova crise.

“E se acontecer de novo?”

“E se eu não tiver ninguém por perto para me ajudar?”

“E se eu estiver dirigindo?”

“E se eu estiver no ônibus lotado?”

“E se for um lugar fechado, onde é difícil achar a saída?”

“E se eu estiver sozinha com meu filho pequeno?”

Amedrontada por essas questões, a pessoa pode passar a evitar esses locais e essas situações.

Quanto maior a preocupação, maior a limitação que a pessoa vai se impondo. Ela vai restringindo seus lugares de circulação, até o ponto de quase não conseguir mais sair da própria casa, chegando à situação que chamamos de agorafobia.

DEFINIÇÕES

O que é uma Crise de Pânico?

Período de medo / desconforto intensos, em que pelo menos 04 dos seguintes sintomas se desenvolveram abruptamente, sem motivo físico aparente:

  • Taquicardia (palpitações, batimentos fortes)
  • Suores
  • Tremores
  • Dificuldade em respirar
  • Sensação de sufoco
  • Dor no peito
  • Náuseas ou perturbações gastrointestinais
  • Tonturas, sensação de desmaio
  • Sensação de irrealidade ou despersonalização (estar separado de si próprio)
  • Medo de perder o controle ou enlouquecer
  • Medo de morrer
  • Parestesias (sensação de formigueiro ou dormência)
  • Arrepios, calor súbito ou suores frios


Síndrome do Pânico

Para o diagnóstico clínico da Síndrome do Pânico, é preciso que as crises de pânico sejam recorrentes. Além disso, pelo menos uma dessas crises deve ter sido seguida de uma ou mais das seguintes características:

  • Preocupação persistente com a possibilidade de ter novo ataque
  • Preocupação relativamente às implicações ou consequências do(s) ataque(s) de pânico (exemplo: ter um ataque cardíaco, enlouquecer)
  • Uma modificação significativa no comportamento relacionado com as crises de pânico

Agorafobia

A agorafobia se manifesta como uma ansiedade extrema em estar em locais ou situações das quais seja difícil ou embaraçoso escapar, ou em que possa não haver ajuda disponível no caso de se ter uma crise de pânico.

Com o agravamento da ansiedade, cada vez mais lugares vão sendo considerados hostis, até que, muitas vezes, a pessoa sente que só em casa está segura, o que paralisa sua vida social e traz prejuízos para questões como trabalho, amizades e demais relacionamentos.

MANEJO CLÍNICO

O Pânico e a Agorafobia são fenômenos ligados à ansiedade, e seu encaminhamento terapêutico segue as mesmas compreensões de outros transtornos da mesma natureza.

Aqui no Blog, nós já falamos sobre ansiedade em outras oportunidades.

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Prof Rodrigo Giannangelo
CRP 06/56201-2

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