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Depressão pós-parto atinge 1 em 5 mães (faça o teste aqui)

A mulher engravida. Tem uma gestação tranquila. O parto transcorre sem problema.

Desde os primeiros dias de vida do bebê, porém, ela se sente estranha.

Não está alegre, como sempre achou que estaria.

Ao contrário, se sente cansada, desanimada, sem energia e irritada.

Chega a questionar se era o momento certo para ser mãe.

Tem receio de se abrir, mesmo com os familiares mais próximos. Não quer ver sua capacidade de ser mãe questionada.

Estamos diante de uma depressão pós-parto.

Os dados sobre esse transtorno no Brasil são alarmantes. Estima-se que atinja uma em cada cinco mulheres.

Em alguns casos, pode se iniciar ainda durante a gestação. Em outros, logo no começo da vida do bebê. Mas algumas mulheres desenvolvem depressão pós-parto meses depois do nascimento da criança.

Muitas vezes, medos e tabus envolvidos no assunto provocam o silêncio de quem sofre. Quem nunca ouviu falar de mães que, deprimidas, chegaram a fazer algum mal ao próprio filho? Quando se sente mal, a mulher esconde, com medo de que a própria família, por medo, a afaste de seu bebê.

Uma gravidez é um momento especial na vida da mulher. Primeiro, fisicamente. Para gerar uma nova vida, o corpo passa por adaptações sem precedentes. A dinâmica dos hormônios muda profundamente, órgãos internos se acomodam para permitir a expansão do útero, e o organismo passa a usar seu estoque nutritivo para alimentar uma segunda pessoa.

Socialmente, a mulher é banhada por olhares, opiniões, sugestões, dicas. Passa ser o centro das atenções em um número cada vez maior de situações.

Psicologicamente, a gravidez altera o modo como a mulher vê a si mesma, altera sua percepção sobre o tempo, traz à tona inseguranças (“Conseguirei ser uma boa mãe?”).

Toda essa peculiaridade faz com que a gravidez e o puerpério sejam épocas delicadas, em que certas intercorrências podem provocar intenso sofrimento psíquico.

Em um número significativo de mulheres, ocorre um quadro chamado baby blues, que inclui aspectos depressivos, mas sem grande gravidade, que tende a desaparecer em poucas semanas.

Contudo, parte delas evolui para a depressão, com sintomas mais numerosos, intensos e duradouros.

Os sintomas da depressão pós-parto não diferem muito das manifestações de outras formas depressivas. A pessoa se sente desenergizada, desanimada, com uma sensação permanente de vazio. Parece que nada faz muito sentido, nem mesmo tarefas e atividades que sempre trouxeram satisfação.

E essa falta de vontade para quase qualquer coisa torna a tarefa de cuidar do bebê ainda mais difícil e exaustiva, aumentando a insegurança e o sofrimento. A mulher pode demonstrar desinteresse ou mesmo rejeição pelo bebê.

Por isso, é muito importante que a família esteja atenta aos primeiros sinais do problema. Apoiar, demonstrar compreensão e ajudar concretamente nos cuidados com o bebê pode aliviar a dificuldade.

Como se precaver?

Gazeta do povo

Quanto antes a mulher grávida for alcançada por um acompanhamento psicológico, menores as chances de desenvolver depressão pós-parto.

Estudos mostram que este acolhimento precoce reduz em cerca de 39% a probabilidade da depressão durante a gravidez ou depois.

É importante que a mulher se prepare para todas as mudanças que vão acontecer no seu corpo, na sua rotina, na sua vida afetiva etc., porque as tarefas de levar a cabo uma gravidez e iniciar os cuidados a uma criança recém-nascida não são nada simples. Nesse sentido, muitos profissionais têm proposto que se faça uma espécie de “pré-natal psicológico”. A ideia é que a mulher possa aproveitar a experiência da maternidade da melhor maneira possível, com menos percalços e dificuldades.

Familiares podem e devem ajudar!

A função da família é primordial no enfrentamento dos problemas que podem ser trazidos pela depressão pós-parto. Seu apoio é paralelo e facilita muito o trabalho do profissional de saúde mental, melhorando o prognóstico.

Conheça algumas atitudes simples que a família pode desenvolver:

– Tente entender de que modo a mulher quer que você a ajude. Não saia fazendo coisas por ela. Para algumas, ter alguém que sempre troca as fraldas do bebê pode ser ótimo; para outras, porém, pode levantar desconfiança de sua própria capacidade.

– Desde que engravida, a mulher costuma ser bombardeada por opiniões e sugestões vindas de todos os lados. Ela precisa de oportunidades onde possa ser ouvida, sem críticas e julgamentos. Ouça-a!

– Só se sugere que a mãe em depressão pós-parto seja afastada do bebê em casos extremos e raros, mas muitas passam a conviver com esse medo assim que são diagnosticadas. Tranquilize-a em relação a isso.

– A depressão pós-parto não precisa ser um bicho de 7 cabeças, mas deve ser encarada com seriedade. Dizer coisas como “não fique assim”, “você precisa se animar”, “não é justo com seu bebê”, só atrapalha e aumenta o sofrimento.

E os homens?

Pais&Filhos Uol

A responsabilidade afetiva pela gravidez é da mãe e do pai, igualmente.

Infelizmente, porém, sabe-se que, no Brasil, grande parte das mulheres encaram o desafio sozinhas.

Mas homens também podem desenvolver depressão pós-parto. Estima-se que até 10% dos pais sofram com o problema, e essa taxa pode chegara 20% quando a mãe também está deprimida.

Manejo clínico

Falamos acima sobre a importância de se criar a cultura do “pré-natal psicológico”, como forma de preparar a futura mamãe para os desafios da maternidade e evitar muitos casos de depressão pós-parto.

Nesse sentido, a psicoterapia é uma grande aliada. Outras práticas também podem ser bastante úteis, como meditação, ioga, exercícios físicos, exercícios de respiração, aconselhamento com doulas etc.

Medicação psiquiátrica pode ser indicada em alguns casos, a partir de uma avaliação criteriosa dos prós e contras envolvidos, considerando-se a segurança da gestação e do aleitamento.

Em resumo, é importante que a mulher tenha canais de comunicação em que se sinta à vontade para se expressar de maneira autêntica, incluindo todas as suas dúvidas, inseguranças, ansiedades e conflitos, já que, socialmente, a partir do momento em que engravida, só é autorizada a demonstrar alegria e gratidão.

É papel do profissional de saúde mental, e também da família, demonstrar empatia e aceitação a sentimentos e questionamentos considerados negativos, transmitindo a ideia de que eles são absolutamente normais, e que a experiência da maternidade não será menos mágica e sagrada por conta deles.

FAÇA O TESTE

A Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS) é um questionário de autoavaliação que permite identificar, de modo preliminar, sinais de depressão pós-parto.

Caso você identifique estes sinais em você, ou em alguém próximo, é fundamental procurar um profissional da Psicologia tão logo quanto possível.

Em relação às 10 afirmações abaixo, responda como você tem se sentido nos últimos sete dias:

1- Eu tenho sido capaz de rir e achar graça das coisas

[ ] Como eu sempre fiz [ ] Não tanto quanto antes [ ] Sem dúvida, menos que antes [ ] De jeito nenhum

2- Eu sinto prazer quando penso no que está por acontecer em meu dia a dia

[ ] Como sempre senti [ ] Talvez menos que antes [ ] Com certeza menos [ ] De jeito nenhum

3- Eu tenho me culpado sem necessidade quando as coisas saem erradas

[ ] Sim, na maioria das vezes [ ] Sim, algumas vezes [ ] Não muitas vezes [ ] Não, nenhuma vez

4- Eu tenho me sentido ansiosa ou preocupada sem uma boa razão

[ ] Não, de maneira alguma [ ] Pouquíssimas vezes [ ] Sim, algumas vezes [ ] Sim, muitas vezes

5- Eu tenho me sentido assustada ou em pânico sem um bom motivo

[ ] Sim, muitas vezes [ ] Sim, algumas vezes [ ] Não muitas vezes [ ] Não, nenhuma vez

6- Eu tenho me sentido esmagada pelas tarefas e acontecimentos do meu dia a dia

[ ] Sim. Na maioria das vezes não consigo lidar bem com eles [ ] Sim. Algumas vezes não consigo lidar bem como antes [ ] Não. Na maioria das vezes consigo lidar bem com eles [ ] Não. Consigo lidar com eles tão bem quanto antes

7- Eu tenho me sentido tão infeliz que tenho tido dificuldade de dormir

[ ] Sim, na maioria das vezes [ ] Sim, algumas vezes [ ] Não muitas vezes [ ] Não, nenhuma vez

8- Eu tenho me sentido triste ou arrasada

[ ] Sim, na maioria das vezes [ ] Sim, muitas vezes [ ] Não muitas vezes [ ] Não, de jeito nenhum

9- Eu tenho me sentido tão infeliz que tenho chorado

[ ] Sim, quase todo o tempo [ ] Sim, muitas vezes [ ] De vez em quando [ ] Não, nenhuma vez

10- A ideia de fazer mal a mim mesma passou por minha cabeça

[ ] Sim, muitas vezes, ultimamente [ ] Algumas vezes nos últimos dias [ ] Pouquíssimas vezes, ultimamente [ ] Nenhuma vez

Calcule sua pontuação

Questões 1, 2 e 4

  • Se você marcou a primeira resposta, não conte pontos.
  • Se você marcou a segunda resposta, conte um ponto.
  • Se você marcou a terceira resposta, conte dois pontos.
  • Se você marcou a quarta resposta, conte três pontos.

Questões 3, 5, 6, 7, 8, 9 e 10

  • Se você marcou a primeira resposta, conte três pontos.
  • Se você marcou a segunda resposta, conte dois pontos.
  • Se você marcou a terceira resposta, conte um ponto.
  • Se você marcou a quarta resposta, não conte pontos.

Some os pontos. Pontuações iguais ou superiores a 10 indicam que há risco de depressão.

Se for o seu caso, é altamente recomendado que você procure ajuda de um profissional.

Você pode entrar em contato comigo agora mesmo, clicando AQUI.

Psicólogo Prof. Rodrigo Giannangelo
CRP 06/56201-2

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