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NÃO CONSIGO DIZER NÃO!

Pense um pouco: com que frequência você faz coisas a contragosto, apenas por não ter conseguido dizer ‘não’ quando lhe pediram?

Se a resposta for “frequentemente”, “quase sempre” ou “sempre”, você tem dificuldade em dizer não, e isso provavelmente tem sido motivo de sofrimento.

O problema já começa quando alguém se aproxima e pede um “favor”. A pessoa sabe que aquilo não lhe agrada, ou que simplesmente não quer fazer aquilo naquele momento. E essa oposição entre a sua vontade e a vontade de um outro, que para muitos pareceria natural, e conduziria a uma atitude tranquila, se torna motivo de ansiedade e grande preocupação.

Para essas pessoas, as necessidades e desejos dos outros têm uma importância que, por vezes, supera a importância das necessidades e desejos dela mesma.

O QUE ACONTECE NESSAS SITUAÇÕES?

O MEDO DE PERDER O AMOR

Uma de duas situações possíveis costuma acompanhar essa dificuldade em dizer ‘não’.

Por um lado, há pessoas que têm muito medo de decepcionar, desiludir ou desagradar. Este medo de desagradar, geralmente mais intenso quando o interlocutor é ou se assemelha a alguma figura de autoridade significativa na história de vida da pessoa, está relacionado ao medo de perder o amor, a consideração, de não ser mais digno da admiração e do convívio.

Como é comum percebermos durante um processo terapêutico, essa situação costuma ter sua origem em momento precoce da vida, quando, ainda criança, a pessoa sentiu medo de perder o amor dos pais por não ser exatamente o que (ao menos, em sua fantasia) eles esperavam dela.

A IMPOSIÇÃO DE LIMITES

De outra maneira, também podemos compreender que a dificuldade de dizer ‘não’ tem a ver com a dificuldade de impor limites aos outros.

Nossos limites são as “fronteiras” vivenciais que delimitam nosso ser. Fazendo uma metáfora simples, é como o muro que separa minha casa da casa do meu vizinho. Se eu ultrapasso o muro, saio dos domínios da minha casa e invado a casa de meu vizinho.

Quando alguém me pede algo que está em desacordo com minha vontade (por exemplo, me pede que o acompanhe a uma festa que não aprecio), está me pedindo permissão para extrapolar um limite. Neste caso, a pessoa deveria se sentir à vontade para dizer ‘sim’ ou ‘não’, livremente, conforme seu próprio julgamento. Ela poderia decidir, inclusive, abrir mão desse limite (a festa não vai lhe agradar, mas quem pede companhia está passando por um momento difícil e ela quer ajudar). O problema é que, para algumas pessoas, extrapolar os próprios limites é a regra.

Em geral, esse tipo de problema está ligado a uma dificuldade de autoimagem e autoestima. Grosso modo, e dito de modo bastante simples, a pessoa não se conhece direito, e nem sabe bem onde estão seus limites. E, assim, acaba permitindo que eles sejam invadidos constantemente, mesmo que sob pena de sofrer depois.

MANEJO CLÍNICO

Durante o processo psicoterapêutico, conseguimos identificar as origens e significados associados à dificuldade em se impor e dizer ‘não’.

O trabalho realizado a partir daí visa a fortalecer o sujeito em sua relação consigo mesmo, de modo que ele possa tornar-se mais autossuficiente e tenha, ao mesmo tempo, consciência e coragem para negociar em suas relações aquilo que de fato deseja livremente, e deixe de concordar sistematicamente com tudo.

Assim, o sujeito desenvolve uma postura mais assertiva diante dos outros, ou seja, ativa e autêntica, respeitosa por si próprio e pelos outros.

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Psicólogo Rodrigo Giannangelo
CRP 06/56201-2

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