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QUE TAL CHAMAR A TECNOLOGIA PARA UMA ‘DR’ (DISCUSSÃO DE RELACIONAMENTO)…?

A história da humanidade é permeada pela tecnologia.

Estamos acostumados a pensar o termo “tecnologia” como exclusivamente ligado aos softwares e gadgets mais atuais, como smartphones, notebooks e seus respectivos sistemas operacionais, aplicativos etc.

Porém, desde a invenção dos primeiros artefatos em pedra, muitos milênios atrás, cujo objetivo foi facilitar a caça e a construção de utensílios por nossos antepassados, podemos dizer que o humano cria e utiliza tecnologia.

Basicamente, a tecnologia se refere a tudo que envolve o desenvolvimento de conhecimento / saber, e a aplicação desse conhecimento / saber na transformação da realidade / natureza, por meio de utensílios, ferramentas e autômatos.

Ou seja, embora tenha em seu fundamento a intenção de transformar a realidade (o que, por si, já permite intuir uma tendência dominadora cujas consequências hoje têm sido expostas de modo cada vez mais claro), a tecnologia não traz em si algo que permita julgá-la de forma definitiva. Em outras palavras, a tecnologia não é “boa”, mas também não é “má”.

Uma metáfora clássica: um martelo é uma ferramenta, um utensílio tecnológico, portanto.

O valor utilitário do martelo está em facilitar às pessoas o manejo com pregos e madeira.

Contudo, nas mãos de um assassino, um martelo pode se tornar uma arma, sendo desferido contra a cabeça de outro ser humano.

Prestar-se a sua utilidade esperada ou à realização de um crime não está na natureza do martelo, mas de quem o utiliza.

Mas em que essa reflexão pode iluminar a questão de como utilizamos as redes sociais?

Em primeiro lugar, acho que nos faz uma advertência: como tecnologias, redes sociais e outros “locais” de interação baseados na internet não são necessariamente “bons” ou “ruins”, em si.

Nem devem ser endeusados, como se representassem uma panaceia, nem demonizados, como “mal do século” ou “perdição da juventude”.

Mas um fato precisa ser exposto.

Embora possamos situar, historicamente, o aparecimento da tecnologia junto ao aparecimento do próprio humano, é notável que um processo de aceleração na produção de novos aparatos tecnológicos, e no processo de obsolescência dos aparatos de versões anteriores, tem sido a marca da sociedade que vivemos há apenas cerca de um século.

Vários autores se debruçaram sobre essa questão, analisando e problematizando suas origens e consequências, tanto nas ciências humanas e sociais, como Bruno Latorre, Bhabha, Zygmunt Bauman, entre outros, como na ficção, no vislumbre de futuros distópicos como os de Aldous Huxley em seu “Admirável Mundo Novo”, ou de George Orwell, em “1984”.

A tecnologia nas relações

Relacionamentos amorosos não escapam à hegemonia das mídias sociais e da internet.

De modo distinto nas diferentes gerações, o mundo online (ou virtual) já faz parte dessas relações.

Há quem diga que as relações humanas nunca estiveram tão expostas ao mundo e passíveis de intervenção (olhares e falas de aprovação, desaprovação, inveja, carinho etc.).

Creio ser necessário lembrar, porém, que o início dos relacionamentos de algumas décadas era profundamente impactado pela tutela de regras e agentes morais (geralmente, representados pelos membros das famílias), que tornavam os encontros a dois uma verdadeiro espetáculo público, no qual se controlavam as menores demonstrações de carinho, desejo e afins.

A diferença talvez esteja no fato de que, naquela época, as regras morais e seus agentes eram mais claros e transparentes para todos os envolvidos.

Hoje, a exposição de uma relação nas redes sociais é alvo de olhares que contemplam uma multiplicidade de “moralidades” e “agentes”, que despejam opiniões fragmentadas, díspares, rarefeitas. Mais uma vez, essa característica pode tornar um casal inseguro de sua adequação, e até do grau de sua felicidade juntos, se resolverem dar crédito a essa confusa “tutela digital”.

No mais, há pontos bastante positivos.

Relações à distância se tornam mais próximas. Antigamente, casais que precisavam se separar temporariamente tinham muita dificuldade em ter sequer notícias um do outro. Hoje, a apenas um clique de um smartphone, podem se ver e falar.

Casais podem se utilizar de ferramentas que facilitam sua vida cotidiana, como calendários de compromissos sincronizados, elaboração de listas de compras conjuntas, planos de divisão de tarefas, entre outros exemplos.

A comunicação do casal se torna mais fácil e frequente, aumentando a proximidade, permitindo maior apoio em situações de dificuldade e melhor contenção e solução de conflitos.

Incremento à vida sexual, com o uso de recursos como fotos, sexting, planejamento de encontros…

Mas nem tudo são flores…

A tecnologia também pode ser fonte de tensão e stress nos casais.

Algumas condições de uso devem ser negociadas, como o tempo despendido no smartphone quando estão juntos e a partilha (ou não) do acesso a emails e redes sociais.

A interação com outras pessoas nas redes sociais também pode alimentar desconfianças e ciúme.

O incentivo a relações superficiais e “descartáveis” – o “amor vazio” de que fala Bauman – que pode conduzir à desistência da relação amorosa ao primeiro sinal de dificuldade (afinal, parece tão grande a oferta de outras pessoas interessantes…).

Quanto à paquera online, especificamente, realizada por um grande número de aplicativos criados para este fim (Tinder, Happen, Namoro, Grindr), entendo que ela também multiplica possibilidades que não existiam para nossos pais e avós.

Isso também pode ser motivo de insegurança, quando se considera o volume da oferta de rostos, corpos, modos de pensar e estilos de vida disponíveis para escolha. Há pessoas que sofrem com isso verdadeiramente, inclusive porque nunca sabem quando é hora de aprofundar a intimidade com uma única pessoa (como dito acima, afinal, a “multidão” percebida nesses aplicativos dá a impressão de que existem muitas outras pessoas potencialmente interessantes…).

Mas, por outro lado, a paquera online pode ser vista apenas como mais um local onde pessoas podem se conhecer. E, como em tantos outros locais improváveis, onde grandes amores se fizeram (mercados, farmácias, esbarrões apressados na rua), quando isso acontece, a sensação é a mesma: a de ter recebido do destino um grande presente! 😉

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Psicólogo Rodrigo Giannangelo
CRP 06/56201-2

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