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CONHEÇA A PERSONALIDADE PARANOIDE

Imagine que você acordou um dia sentindo muito frio. Com o corpo todo tremendo, você vai ao guarda roupa e se veste dos pés à cabeça com a roupa mais quente que encontra.

Ufa! Finalmente, o frio cessa, e você se sente bem.

Agora, imagine que, por ter funcionado muito bem naquele dia, você decida que vai usar essa mesma roupa TODOS OS DIAS.

O tempo esquenta. O sol chega a arder, e você continua se cobrindo, dos pés à cabeça…

Dá aflição só de pensar! É claro que você vai se sentir mal, vai sofrer.

E por quê?

Porque a roupa que foi extremamente adequada e útil num dia, tornou-se inadequada e causadora de incômodo em outros.

Podemos compreender muitos de nossos problemas psíquicos de maneira parecida.

Traços da Personalidade Paranoide podem ter sido adaptativos em algum momento do passado precoce do indivíduo

Por exemplo, o psicanalista Erik Erikson percebeu que, durante o primeiro ano de vida, o bebê desenvolve a noção de CONFIANÇA. A partir do modo como suas necessidades (fome, dor, frio, calor) são satisfeitas ou não, a pequena criança sente que pode confiar mais ou menos no mundo.

Um mundo percebido como não confiável pode levar ao desenvolvimento de uma insegurança paranoide.

Outros teóricos consideram também que o sujeito paranoide tende a atribuir aos outros o que existe verdadeiramente em si, realizando o que se chama de “mecanismo de projeção”.

Culpando o outro pelas minhas próprias falhas, eu minimizo minha sensação de inadequação.

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Manifestações facilmente percebidas na Personalidade Paranoide são:

1. Constantes suspeitas de que outros o exploram, prejudicam ou enganam

2. Dúvidas injustificadas sobre a lealdade ou confiança de amigos ou sócios

3. Medo de se abrir, por medo de que as informações possam ser usadas contra ele

4. Vê atitudes dissimuladas ou ameaças em comentários ou acontecimentos inofensivos e/ou não relacionados a ele

5. Sente-se ofendido por coisas que as demais pessoas não compreendem, e tende a contra-atacar. Quando isso acontece, tem dificuldade em perceber agressividade em seus próprios atos

7. Desconfianças injustificadas e recorrentes sobre fidelidade do conjugue ou companheiro

8. Constante vigilância, por medo de que algo ruim irá acontecer

9. Questionamento sobre os motivos que levam os outros a aproximarem-se dele

10. Certa tendência ao isolamento, por sentir-se desconfortável com a proximidade

11. Dificuldade em demonstrar qualquer fraqueza ou insegurança (o paranoide vive confirme a regra: “tudo que você disser SERÁ usado contra você”)

12. Privilegia o mundo cognitivo e intelectual em prejuízo das emoções

13. Tende a interpretar a realidade externa de modo a confirmar suas suspeitas (mesmo quando as interações sociais são boas, pensa que se trata de uma sedução para leva-lo a confiar nelas, para depois ser atacado)

Manejo clínico

Em todos os casos, a vivência do indivíduo paranoide é sempre de intenso sofrimento.

A psicoterapia, aliada a acompanhamento psiquiátrico, permite ao sujeito viver uma vida mais plena e livre do aprisionamento destes sintomas.

É razoável imaginar que, por conta das características do paciente paranoide, o início da relação terapêutica seja cheio de conteúdos transferenciais de desconfiança.

Em certas situações, o paciente pode também imaginar que o terapeuta está em conluio com a família, esposo(a) ou quem quer que tenha incentivado a procura pela terapia.

É fundamental que o terapeuta tenha isso em mente, de modo a compreender o comportamento do paciente como expressão sintomática, e não um ataque “pessoal”. Esta desconfiança pode se manifestar de variadas maneiras e reaparecer em diferentes momentos do processo terapêutico.

Também é de suma importância que o paciente seja, aos poucos, e na medida em que o terapeuta perceba que há condições para tanto, confrontado com suas desconfianças e ataques, e com as consequências deles.

Manifestações de empatia, confiança, desejos espontâneos de criar “pactos” e compartilhar segredos devem ser encorajados, como sinais de mudança.

Por outro lado, manifestações de remorso e arrependimento, devem ser pontuadas e trabalhadas com vigor, não para criar uma sensação de culpa, mas para que o paciente adquira uma melhor percepção sobre sua ação no mundo.

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