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Os 5 estágios emocionais do isolamento social e como lidar com cada um – em qual você está?

Anne Marie Collins, presidente da Associação Australiana de Psicólogos, descreve 5 estágios emocionais no isolamento social provocado pela pandemia do Coronavírus (Covid-19). Segundo ela, a partir das primeiras notícias sobre a pandemia, a maioria de nós tende a vivenciar: Descrença, Raiva, Tristeza, Aceitação e Esperança. 

Collins argumenta que as profundas alterações na rotina de vida das pessoas no mundo todo, e, especialmente, a sensação de perda de controle sobre a própria vida e sobre o futuro, provocadas pela pandemia, deve trazer emoções intensas.

Assim como ocorre com os 5 estágios do luto: negação, raiva, barganha/negociação, depressão e aceitação – as pessoas não atravessam cada fase necessariamente na mesma ordem.

“Não dá para estipular um prazo. Você precisa permitir que as pessoas se movam pelos estágios a velocidades diferentes – é um processo bastante orgânico, que é totalmente individual. Basta saber que, independentemente do que você está sentindo, é absolutamente natural”. – diz ela.

1. DESCRENÇA 

Outra semelhança entre os estágios emocionais ligados à pandemia e a elaboração do luto está no fato de que ambos implicam uma profunda sensação de perda.

O coronavírus provocou uma repentina perda de contato social para pessoas no mundo todo. Essas pessoas estão agora tentando criar uma nova rotina para suas vidas.

Num primeiro momento, a percepção dessas significativas mudanças levou a uma sensação de descrença, como se as crises na saúde e na economia simplesmente não estivessem acontecendo.

Atualmente, quando boa parte da população mundial vive sob isolamento, e o desenvolvimento da pandemia é alvo de uma exaustiva cobertura jornalística, a maioria das pessoas já superou a negação e entrou na segunda fase: a raiva.

COMO LIDAR 

Pessoas sob estresse agudo, tipicamente provocado por situações intensas, envolvendo violência ou dificuldade financeira extrema, têm risco de desenvolver transtorno do estresse pós-traumático. Por exemplo, casais onde ambos perderam seus empregos ou pessoas sofrendo violência doméstica.

Efeitos a longo prazo, como o TEPT, ocorrem após o sujeito estar preso numa situação de grande estresse, em que se sente incapaz de fazer alguma coisa para mudar.

Uma opção saudável para minimizar o estresse desse momento é realizar atividades físicas moderadas, pois isso resgata a sensação de controle sobre a situação.

2. RAIVA 

Como também acontece com o luto, é natural sentir raiva em relação à perda da normalidade e à reviravolta imposta pela crise do coronavírus.

O problema está quando, a partir da raiva, o sujeito culpa a si mesmo ou a outros pela situação. A culpabilização aprisiona na raiva, impedindo a passagem para o próximo estágio.

COMO LIDAR

É compreensível que sintamos raiva e frustração pelas radicais restrições que atingiram nossas vidas, quase do dia para a noite, como as medidas de distanciamento social e a impossibilidade de sair de casa.

Junto com o medo e a incerteza, a pandemia criou a oportunidade para refletir e reavaliar o modo como vivemos, bem como nossas prioridades e aquilo que valorizamos.

Em nossa cultura, as coisas costumam acontecer muito rapidamente, e raramente conseguimos parar para pensar sobre como lidamos com dinheiro, consumismo, capitalismo, e em como essas estruturas nos levaram para onde estamos agora.

A raiva pode ser aliviada se identificarmos os valores pelos quais queremos viver no futuro, e quais mudanças são necessárias para tornar esses desejos reais.

Uma pergunta que cada um pode tentar responder a si mesmo é “O que você gostaria que as pessoas dissessem sobre você quando você morrer?”. Então, refletir sobre o que é necessário fazer em seu dia-a-dia para que isso aconteça.

Outra fonte de alívio para a raiva reside nas conexões recém descobertas entre vizinhos e pequenas comunidades, algo que tem sido visto pelo mundo afora. É a possibilidade de revigorar um senso de comunidade perdido no mundo contemporâneo.

 Essa união é benéfica para a saúde mental, porque o que nos paralisa é a nossa perda de controle. Sabemos que não podemos resolver o problema, não podemos curar o coronavírus, mas somos capazes de criar novas conexões que podem ser levadas para o futuro.

3. TRISTEZA 

É normal vivenciar momentos de tristeza durante a crise, mesmo depois de compreender a necessidade do isolamento.

Ficar triste e chorar são reações naturais à mudança, e fazem parte de nossa fisiologia.

COMO LIDAR

É importante aceitar a tristeza e outras emoções “negativas” quando elas acontecem, reconhecendo-as como parte do processo de cura, e não como sinal de fraqueza.

O sujeito deve perceber essas emoções, descrevê-las para si mesmo (e,se possível, para outras pessoas a sua volta), e analisar o que as provocou, sem julgamentos ou vergonha.

Também pode ajudar se o sujeito lembrar que a profunda sensação de perda de normalidade é coletiva e justificada, e que todos estamos buscando maneiras de lidar com ela.

4. ACEITAÇÃO

Nós, seres humanos, somos extremamente adaptáveis. Cedo ou tarde, seremos capazes de aceitar a situação e as mudanças provocadas por ela.

Nesta fase, aceitamos que a mudança é, na verdade, uma nova realidade, com novos desafios, seja trabalhar em casa, estudar em casa, exercitar-se em casa etc.

COMO LIDAR

Renunciar à raiva nos ajuda a alcançar um estado de verdadeira aceitação, mas encontrar paz com nossa nova realidade é algo que não podemos forçar.

A aceitação chega quando o sujeito está preparado para ela.

Novas rotinas e uma estrutura que permita previsibilidade em nosso dia-a-dia pode nos dar energia e propósito, que podem ser usados para enriquecer a vida com um entusiasmo que não percebíamos que nos faltava antes da crise.

Aprender um instrumento musical, um novo idioma, ensinar uma criança a cozinhar, concentra a mente nas possíveis mudanças positivas surgidas da situação atual.

5. OTIMISMO

Depois de alcançar a aceitação, nossa mente se acalma. O sistema nervoso sai do modo “lutar ou fugir”, cheio de adrenalina, para uma situação de equilíbrio na qual a criatividade flui e o pensamento racional pode predominar.

Neste ponto, podemos ser realmente produtivos.

COMO SE BENEFICIAR 

O otimismo nos permite olhar para a vida de um jeito diferente, encarando as mudanças como desafios a superar, e não como obstáculos insuperáveis.

Além disso, começamos a considerar os aspectos positivos da mudança, como passar mais tempo com a família e com os filhos, por exemplo.

Pelo mundo todo, as pessoas estão se dedicando a novas atividades, como cozinhar, cantar e estão construindo conexões humanas baseadas em outras mídias e tecnologias.

Nesse mesmo contexto, psicólogos estão oferecendo consultas por vídeo chamadas, incentivando pessoas de todas as idades a procurar um acolhimento psicológico que lhes possa ajudar a enfrentar esse estranho mundo novo.

Você pode entrar em contato agora mesmo, clicando AQUI.

Psicólogo Prof. Rodrigo Giannangelo
CRP 06/56201-2

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