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ISOLAMENTO FÍSICO PODE PROVOCAR DANOS PSICOLÓGICOS

Além do Brasil, países como EUA, França, Itália, Espanha e China já vivem há semanas ou meses com parte da população dentro de casa. A pandemia do coronavírus tem provocado profundas transformações na sociedade contemporânea, com impactos psicológicos que ainda estamos apenas começando a compreender.

Ficar em casa “sem fazer nada”. O que pode parecer um sonho para alguns, se tornou o pesadelo para milhões de pessoas desde o início do surto de COVID-19.

Na China, por exemplo, o confinamento, usado como forma de conter a disseminação do vírus, levou a um aumento nos índices de violência doméstica e no número de divórcios.

Pessoas confinadas perdem sua rotina e sua liberdade, o que gera uma sensação de perda de controle sobre a própria vida, potencialmente nociva à saúde mental.

Em alguns casos, as pessoas podem ser acometidas por fortes crises de ansiedade, irritabilidade, angústia e insônia. Sentimentos de incerteza, tédio e solidão também são comuns. Quanto mais longo o isolamento, mais importantes são as repercussões psíquicas. Em situações mais graves, algumas pessoas podem desenvolver um quadro de ansiedade patológica conhecido como Transtorno do estresse pós-traumático.

Estudos mostram que a solidão provocada pela falta de vida social pode provocar uma elevação dos níveis de cortisol, hormônio relacionado ao estresse, elevando o risco de doenças cardiovasculares, depressão e obesidade.

Solidão da quarentena

A China, primeiro país afetado severamente pela Covid-19, tem assistido a uma explosão na procura por psicólogos. Na pauta das consultas, além do medo da contaminação, estão questões ligadas à solidão da quarentena.

Diante da insuficiência de profissionais para dar conta desta demanda, o governo colocou à disposição mais de 300 linhas de assistência telefônica administradas por universidades ou associações especializadas. Além disso, alguns terapeutas lançaram gravações com técnicas e exercícios para alívio de ansiedade, respostas a perguntas frequentes, meditação etc. Sessões de terapia online também estão sendo realizadas.

Estamos entrando em um novo período de sofrimento social, relacionado ao isolamento e ao custo do distanciamento social, que provavelmente ocupará nossos estudos e discussões pelos próximos anos.

A internet nem sempre é a solução

Ao contrário do que se pode pensar, estar conectado à internet e às redes sociais não significa necessariamente que o isolamento é menor. As pessoas confinadas têm acesso a um volume muito grande de notícias, geralmente negativas, e nem sempre verdadeiras.

Ainda não sabemos exatamente como todas essas informações podem agravar o impacto psicológico do confinamento, mas é certo que provocam um aumento do medo e da ansiedade. A OMS já deu um nome ao quadro psicológico gerado por esse fluxo caótico de informações: infodemia.

Nesse sentido, a pandemia de COVID-19 é inédita, a primeira que a humanidade enfrenta em tempos de internet e redes sociais, o que contribui para que as consequências para a saúde mental da população sejam incertas.

Em momentos de tensão e incerteza, as pessoas ficam mais frágeis. Aquelas que já sofrem com algum transtorno mental, como o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), a Bipolaridade, a Depressão ou a Síndrome do pânico, estão mais sujeitos a sofrer com as crises.

No caso do TOC, por exemplo, se o paciente já tiver a tendência de realizar rituais de limpeza compulsivamente, como lavar as mãos, isso provavelmente será amplificado, uma vez que a existência de um risco real, como é o caso da Covid-19, potencializa e “justifica” seus atos.

Para tentar evitar que esses transtornos sejam intensificados, os tratamentos já rotineiros não devem ser interrompidos. Na impossibilidade do contato presencial, é essencial que essas pessoas busquem alternativas de consulta e acompanhamento online.

Algumas atividades podem ser incorporadas à rotina durante a quarentena como modo de diminuir os efeitos psicológicos adversos, como realizar exercícios físicos, ler, ouvir músicas e ver filmes. Também é importante fazer contato com pessoas significativas, como amigos e parentes, mesmo que virtualmente.

Evitar o excesso de informações sobre a pandemia, em especial dados sobre crescimento do número de casos de infecção e mortes, ajuda a não agravar o quadro clínico. Não se trata de negar a realidade, mas de se preservar de um volume de dados desnecessário e perigoso.

Após a última epidemia de coronavírus, em que cerca de 800 pessoas morreram pela Sars (síndrome respiratória aguda grave), 42% dos sobreviventes haviam desenvolvido algum transtorno mental, a maioria transtorno de estresse pós-traumático e depressão, segundo um estudo publicado em 2014 na revista especializada East Asian Arch Psychiatry.

De qualquer modo, é preciso ressaltar a importância do isolamento físico para evitar a rápida disseminação do vírus e não sobrecarregar os recursos de saúde.

Por isso, se puder, FIQUE EM CASA!

Você pode entrar em contato agora mesmo, clicando AQUI.

Psicólogo Prof. Rodrigo Giannangelo
CRP 06/56201-2

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