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PANDEMIA: Por que há pessoas que colocam a si mesmos e aos outros em risco? O que fazer?

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Nos últimos meses, a maioria dos países submeteram suas populações a severas restrições de mobilidade, de modo a achatar a curva de contágios e mortes pela Covid-19.

Contudo, temos assistido a uma retomada gradual da mobilidade, não motivada pelo enfraquecimento do vírus ou pela descoberta de medidas farmacológicas de combate mais eficazes (vacina ou medicamento), mas pelo desejo de permitir que a economia volte a funcionar, e pelo cansaço das pessoas em ficar isoladas.

O número de novos casos confirmados da doença permanece estável em algumas regiões, e volta a crescer em outras. Considerando essa realidade, associada ao afrouxamento das restrições à mobilidade, é possível compreender que o distanciamento social e as medidas preventivas adquirem importância ainda maior neste momento.

Infelizmente, porém, os humanos nem sempre agem de maneira racional ou conforme seu melhor interesse. Centenas de vieses comportamentais afetam nossa tomada de decisão cotidiana.

Muitos desses vieses são reforçados por situações de estresse, fadiga ou incerteza. Sem dúvida, nossos vieses estão afetando as decisões que tomamos durante esta pandemia, tanto no momento de isolamento quanto agora, que as atividades econômicas vêm sendo reativadas.

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Veja como alguns desses vieses alteram a percepção da realidade na pandemia:

– Viés otimista: tende a subestimar o perigo do vírus, sua disseminação, letalidade e consequências para a saúde. Por exemplo, acreditar em fake news de cunho negacionista.

– Viés status quo: dificuldade de alterar o modo de vida a que estava acostumado antes da pandemia. Por exemplo, adquirir novos hábitos em relação à higienização das mãos.

– Viés da relevância: acredita que o vírus não é tão importante quanto outros problemas e dificuldades da vida. Por exemplo, compara a importância entre a Covid e a falta de dinheiro e conclui que a doença não é tão grave.

– Sobrecarga cognitiva: acúmulo de funções cognitivas realizadas simultaneamente leva a erros que em outra situação dificilmente seriam cometidos. Por exemplo, pessoas exaustas por estarem se dividindo entre trabalho, família e responsabilidades domésticas podem errar em tarefas simples, como lavar as mãos ou higienizar chaves e celulares.

A boa notícia é que essas distorções perceptivas podem ser corrigidas por intervenções simples que reorientem nossas decisões para a direção desejada. Na impossibilidade de prolongar o isolamento, o desafio atual é manter os procedimentos de higiene em locais públicos e o distanciamento físico entre as pessoas em escritórios, restaurantes, transporte público etc.

Para ajudar governos nesses esforços, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicou um guia intitulado La economía del comportamiento puede ayudar a combatir el coronavirus (“A economia do comportamento pode ajudar a combater o coronavírus”), que oferece recomendações para diagnosticar e formatar comunicações e intervenções para direcionar os vieses comportamentais das populações.

Eis alguns exemplos incluídos no guia:

  • Promover distanciamento físico: Recomenda fortalecer a percepção de distância por meio de pontos de referência que todos conhecem. “Dois metros” pode ser uma distância abstrata, mas todos conseguimos imaginar o comprimento de uma cama.
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  • Promover a higienização das mãos: É útil instalar lembretes – por exemplo, na entrada de certos ambientes – chamando a atenção para momentos-chave, como após espirrar ou tossir, usar o banheiro, tocar no lixo, chegar da rua etc.
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  • Incentivar o uso de máscaras: Para que esta se torne uma norma social, podem ser usados conceitos como persuasão moral, reciprocidade e identidade social.
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Tais iniciativas são conhecidas na ciência do comportamento como nudges (algo como um “empurrãozinho”). Os nudges são alternativas viáveis e eficazes às punições e repreensões.


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Psicólogo Msc. Rodrigo Giannangelo
CRP 06/56201-2

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