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RELACIONAMENTOS E CELULARES NÃO SÃO FEITOS PARA DURAR?

Lembro-me das visitas que fazia em família quando era criança. Na casa dos outros, era normal encontrar coisas antigas. Talheres, eletrodomésticos, móveis, jogos de louça etc., muitas vezes utilizados há décadas.

As próximas gerações não terão essa oportunidade.

Agora mesmo, olho a minha volta e percebo que, no quarto onde estou, o único objeto com mais de 3 anos de vida é o armário embutido.

Zygmunt Baumann

Cada vez mais, como disse o sociólogo e filósofo Zygmunt Baumann (1925-2017), “nada é feito para durar”.

E o que isso significa?

Será que ocorreu, no último século, uma modificação tão profunda da “natureza humana”, capaz de nos levar a lidar com o mundo dessa forma tão diferente?

Parece que não é esse o caso.

De fato, o que vem ocorrendo é uma intensificação, levada ao seu limite, de uma tendência típica de nosso modo de PRODUZIR bens e serviços.

Peguemos como exemplo um aparelho celular.

Com 2 ou 3 anos de uso, ele não só está absolutamente desatualizado em relação aos lançamentos mais recentes, mas também começa a demonstrar problemas de funcionamento (a bateria não segura carga tão bem, a memória não grava, a tela trava…).

Assim, após esse tempo (relativamente curto, se considerarmos o preço pago pelo dispositivo), a ideia é que o usuário sinta uma vontade (que, para alguns, é quase irrefreável), de trocar de aparelho. Afinal, seu gadget está “velho” e funciona mal.

É assim que as empresas envolvidas na produção desse aparelho maximizam seus ganhos – seu LUCRO.

Vários autores já falaram sobre a influência do modo como produzimos bens e serviços na psicologia humana, ou seja, no modo como nos relacionamos com o mundo e conosco mesmos.

É o que vemos hoje.

Se compreendermos os relacionamentos afetivos sob esta ótica, faz sentido que sejam mais fluidos e temporários.

Primeiro, enquanto você se relaciona com alguém, continua havendo uma oferta muito grande de pessoas potencialmente interessantes no “mercado”. Por que manter-se com alguém e não se permitir aproveitar o que esse “mercado” pode lhe oferecer em termos de novidades, atualizações, outros modos de dar e receber carinho (outros hardwares e softwares) etc.?

Depois, a manutenção de um relacionamento requer esforço, paciência… dá trabalho.

Fazendo uma analogia, quantas vezes as pessoas levam um aparelho que deixou de funcionar na assistência técnica e, depois de receber o orçamento, dizem: “ah, não vale a pena consertar, melhor comprar outro”?

Qual a lógica aí envolvida?

Há problemas que não valem o esforço de solucionar.

Voltando à questão dos relacionamentos, cada vez mais há problemas que as pessoas não estão dispostas a resolver.

Estão ocupadas com muitos outros afazeres, têm muitos outros focos e objetivos, prioridades (carreira, estudos) e simplesmente preferem “comprar outro”.


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Psicólogo Msc. Rodrigo Giannangelo
CRP 06/56201-2

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