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O QUE É O TRANSTORNO BORDERLINE, QUE ACOMETE RAISSA BARBOSA DE ‘A FAZENDA’

Costumamos definir personalidade como um conjunto de características psíquicas, mais ou menos constantes, cuja expressão comportamental permite identificar uma pessoa. Em outras palavras, é a maneira própria de um sujeito pensar, falar, perceber, se relacionar etc.

Quando nos referimos a um transtorno de personalidade, estamos diante de características que implicam um estar-no-mundo marcado pelo sofrimento psíquico e/ou pela desadaptação social.

COMPREENSÕES TEÓRICAS POSSÍVEIS

O Transtorno de Personalidade Borderline – TPB se manifesta pelas extremadas impulsividade e instabilidade.

Humores, afetos, desejos, vínculos interpessoais, autoimagem, tudo é inconstante. As respostas do sujeito a situações de vida comumente parecem exageradas e desproporcionais.

Como nos aponta Yontef (1998), na história de vida do sujeito com TPB, parece sempre haver um problema de abandono, o que faz com que ele deseje e, ao mesmo, tenha muito medo de se relacionar.

Os relacionamentos interpessoais são inicialmente vistos com desconfiança. Quando o sujeito decide se lançar à relação, sua falta de consciência de limites (de si mesmo e do outro) o faz confundir-se/misturar-se. Nessa situação, o borderline se assusta, como se estivesse a ponto de ser “engolido” pelo outro, levado para um “nada” existencial. Então, ele ataca agressivamente o outro, fantasiando que possa destruí-lo. Assim que faz isso, porém, volta a sofrer pela sensação de abandono.

A desconsideração das fronteiras de contato existencial se dá nas dimensões espacial e temporal. Por isso, outro traço do modo de ser do sujeito borderline é viver um presente exacerbado, em que passado e futuro não fazem sentido. O tempo se estende diante dele como algo infinito, e que não passa.

Dessa breve exposição resta claro que o sujeito borderline tem seu próprio ser como questão mal resolvida, não no sentido existencial típico, enquanto tarefa a ser realizada enquanto viver, sempre à frente de si, mas como confusão.

Teorias psicanalíticas corroboram para esta compreensão. Hegenberg (2007), por exemplo, descreve o borderline como alguém com angústia de separação (dificuldade de se separar do outro), problemas de identidade, clivagem (dificuldade de ver a si mesmo e ao mundo como um todo ambivalente, com características boas E más), narcisismo acentuado (ênfase nas próprias necessidades e desejos), agressividade e impulsividade.

SINTOMAS

Antes de descrever os sintomas, é importante dizer que o TPB pode começar a se manifestar na adolescência ou no início da vida adulta. Os pais e outros responsáveis podem se atentar para a ocorrência de certas características que são indício do transtorno, tais como: comportamento exageradamente impulsivo / agressivo, automutilações; grande dificuldade para manter relações interpessoais, marcadas pelo medo de abandono; grandes oscilações de humor em pouco tempo; presença de crenças como “não mereço ser amado”; confusão quanto a identidade, sentimentos e valores próprios.

De modo geral, podemos resumir os principais sinais do TPB entre os seguintes:

• Grande medo de ser abandonado, real ou fantasiado, e consequentes esforços para evitá-lo;
• Relações intensas e instáveis com familiares, amigos e parceiros amorosos, podendo transitar da extrema proximidade (idealização) à raiva;
• Autoimagem confusa e instável;
• Comportamentos impulsivos, como compras, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente e compulsão alimentar;
• Ideações ou tentativas de suicídio, e/ou comportamentos de automutilação, como cortes, beliscões e outras agressões ao próprio corpo;
• Humor que varia de maneira notável, em pouco tempo;
• Sensação de vazio;
• Raiva intensa ou desproporcional; muitas vezes, explosiva/impulsiva;
• Pensamentos paranoicos;
• Sintomas dissociativos, como sentir-se fora do corpo.

COMO TRATAR

O TPB costuma ser visto como um transtorno difícil de se tratar.

Tal compreensão se deve ao fato, já exposto acima, de que o borderline tem dificuldade para se relacionar, e para manter-se estável num relacionamento.

Porém, hoje se sabe que a habilidade do profissional de saúde mental, aliada ao apoio de familiares saudáveis, e ao desejo do próprio paciente, podem promover grandes mudanças no quadro, permitindo um incremento bastante importante na qualidade de vida.

A psicoterapia é o tratamento de escolha para o TPB.

Em alguns casos, medicamentos podem ajudar a tratar sintomas específicos, como mudanças de humor, depressão ou outros distúrbios que podem ocorrer com o transtorno. Medicamentos também podem ser particularmente importantes quando há risco de suicídio e automutilação.

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Psicólogo Msc. Rodrigo Giannangelo
CRP 06/56201-2

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REFERÊNCIAS

Bin, Kimura (1998). Fenomenologia da depressão estado-limite. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental(3).

Hegenberg M. Borderline. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2007

Yontef, G. M. (1998). Processo, diálogo e awareness. São Paulo: Summus.  

Imagem destacada: Reprodução/RecordTV 

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