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LUTO NA TERAPIA: MELHOR FALAR OU CALAR?

Por uma dessas infelizes coincidências que em minha profissão são “ossos do ofício”, nas últimas duas semanas tive a experiência de atender várias pacientes que haviam sofrido perdas pessoais importantes no dia ou poucos dias antes de nossa sessão.

Algumas coisas me chamaram a atenção por serem comuns a esses episódios.

Dominadas pela dor e pela tristeza, as pacientes compartilharam que haviam pensado em desmarcar nosso atendimento. Era como se sentissem que seu abatimento não lhes deixava em condições de fazer terapia.

A perda de um ente querido pode nos deixar ensimesmados, ou seja, absorvidos em nós mesmos, sem muita disposição para falar ou ouvir. É um movimento natural frente à aflição e ao absurdo da morte, que precisa ser respeitado.

Mas não posso negar minha satisfação em perceber que todas as pacientes acabaram por mudar de ideia, e decidiram fazer a sessão (quase sempre, de última hora).

E digo isso estimulado pelo retorno que me deram logo ao final de cada atendimento – olhando em retrospecto, elas acreditaram ter feito a melhor escolha, porque foi nítida a sensação de que a sessão lhes ajudou muito naquele momento tão difícil.

Penso que esta é uma metáfora bastante apropriada para situações que vivemos em terapia. Assim como ocorreu no caso do luto dessas pacientes, nem tudo com que lidamos pode ser “resolvido”.

Por vezes, basta uma escuta qualificada, um compartilhar a vivência que encontre no terapeuta uma compreensão genuína e uma aceitação incondicional.

Porque não há solução, mas o peso da vivência não precisa ser enfadonho.


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Psicólogo Rodrigo Giannangelo
CRP 06/56201

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