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SE VOCÊ EXCLUI, RETORNA. SE ACEITA, LIBERTA

Uma grande influência em minha formação foi a Gestalt Terapia. Neste artigo, rememoro alguns de seus ensinamentos.

Comece imaginando essa situação: você saiu do mercado e está indo para casa.

Faltando alguns quilômetros para chegar, porém, começa a sentir uma terrível cólica: a natureza anuncia o início de uma diarreia.

Nesse momento, este se torna o único foco de sua atenção. Você só pensa em satisfazer essa necessidade.

Minutos depois, você chega. Entra, e o banheiro parece ser o único cômodo da casa.

Você corre em direção a ele sem reparar em mais nada. Um elefante no meio da sala talvez não consiga lhe chamar a atenção.

Assim que sua necessidade é atendida, porém, ela deixa de exercer influência em seu corpo e em sua mente.

Então, você pode dar atenção e pensar em outras coisas.

Pode, por exemplo, sentir que está com fome.

Fome indica falta de alimento no organismo, e isso não começa de repente. Podemos dizer que a fome já estava lá enquanto você sofria pela diarreia, mas, assim como o elefante, não era percebida.

Satisfazer a necessidade mais urgente abriu caminho para que um novo desejo chegasse à consciência.

Estas reflexões têm como fundamento o corpo teórico-prático da Gestalt Terapia, onde podem ser encontradas de modo abundante. Aqui, porém, não utilizarei os termos próprios da abordagem.

O CASO DOS SENTIMENTOS

Este foi apenas um exemplo simples, mas o que acontece em situações de vida mais complexas é parecido.

Vejamos o que acontece com nossos sentimentos.

Tristeza, raiva, paixão etc. são como “necessidades” que precisam ser satisfeitas. Em outras palavras, precisamos dar um encaminhamento ao que sentimos, fazer algo com isso.

Enquanto não conseguimos “satisfazer” um sentimento, ele permanece em nossa consciência, aguardando uma resolução. Quando ele é atendido, por outro lado, segue para um segundo plano de importância e pode dar lugar a outras demandas.

Portanto, para manter um fluxo saudável de consciência, precisamos aprender a reconhecer e atender nossas emoções.

Isso pode parecer muito simples, mas nem sempre é assim na prática.

Sabe como?

Tente se lembrar de algum momento em que você se sentiu triste.

Como a tristeza é um sentimento pesado e desconfortável, talvez em algum momento você tenha tentado se livrar dele, ignorando-o ou abafando-o, ou mesmo fingindo para si mesmo que ele não existia.

Você pode imaginar vivências com outros sentimentos igualmente desconfortáveis e pesados, como a raiva, por exemplo.

Muitas vezes sem perceber, fazemos de tudo para não ter contato com certas emoções, buscando, assim, aliviar a dor que elas trazem consigo.

No entanto, como dissemos acima, o caminho para “nos livrarmos” (tecnicamente, seria mais rigoroso dizer “elaborarmos”) uma necessidade não é fugindo dela, mas, ao contrário, satisfazendo-a!

Pense no desastre que seria tentar ignorar a cólica da diarreia. Ou em como seria perigoso para sua saúde desprezar os apelos da fome…

Necessidade ignorada é necessidade que não vai embora.

Do mesmo modo, a tristeza que abafamos é a tristeza que não cessa. A raiva que fingimos não sentir é a raiva que não nos deixa. E mais: sentimentos que não se expressam e não se “satisfazem” impedem que outros sentimentos venham à consciência, impedindo o fluxo e paralisando a pessoa.

COMO “SATISFAZER” SENTIMENTOS?

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer e aceitar o que estamos sentindo (e esta já é boa parte do trabalho!).

Para que essa primeira fase aconteça, o mais importante é evitar julgamentos. Isso nem sempre é fácil, pois nossa educação nos incentiva a dividir as emoções entre boas e más, positivas e negativas. Aprendemos, também, que emoções boas / positivas são “certas”, e emoções más / negativas são “erradas”.

Porém, se conseguirmos deixar de lado esse julgamento e nos permitirmos verdadeiramente sentir, o simples contato com esses sentimentos já pode satisfazê-los.

Em segundo lugar, também é importante expressar os sentimentos.

Nem sempre é possível fazer isso socialmente, mas sempre podemos expressá-los para nós mesmos.

Por exemplo, se me percebo com raiva de alguém, imagino algo que falaria ou faria em relação àquela pessoa. Ou, se estou triste, penso no motivo de minha tristeza e choro pelo que me magoou.

Estas são situações simples e cotidianas. A vida tem desafios muito mais difíceis de enfrentar e expressar.

É por isso que o apoio terapêutico é fundamental. Afinal, como dissemos, circunstâncias não elaboradas não podem ser esquecidas. Além disso, estes sentimentos não digeridos podem buscar sua expressão “na marra”. Neste caso, transbordam do sujeito como sintomas, gerando transtornos psicológicos e trazendo sofrimento psíquico.

Conhecer e saber lidar com as próprias emoções é um dos significados mais preciosos da palavra liberdade. Isto é, vivenciar o que sentimos de modo autêntico, sem esconder ou reprimir.


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