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TRANSTORNO DISSOCIATIVO DE IDENTIDADE – Conheça as “Múltiplas personalidades”

Transtorno dissociativo de identidade

Transtorno dissociativo de identidade
Filme Fragmentado

Já lhe aconteceu de esquecer a letra de uma música super conhecida?

E o caminho para um lugar familiar, já esqueceu?

O número de seu próprio telefone já lhe escapou da memória?

E alguma vez já lhe aconteceu de esquecer… quem você é?

Talvez pareça absurda essa ideia de não lembrar quem você é, mas ela pode ser introduzida por um conceito interessante, que atende pelo nome de amnésia dissociativa.

Esse tipo muito peculiar de amnésia pode se manifestar por lacunas na memória de eventos pessoais, do passado ou atuais, ou por lapsos na memória instrumental (habilidades como tocar um instrumento musical ou usar computadores).

Nesses casos, frequentemente o sujeito se surpreende ao descobrir evidências de coisas que fez, disse, viu etc., das quais não se lembra e/ou que lhe parecem até improváveis.

Por exemplo, os pacientes podem se encontrar em lugares e não ter ideia do porquê ou como chegaram lá.

OK – você pode dizer – mas daí a dizer que alguém pode se esquecer de quem é, vai uma longa jornada…

Verdade.

Aquilo que conhecemos como “eu” é uma integração complexa. É um conjunto de memórias, percepções, consciência, emoções, representação corporal, comportamentos etc.

Transtorno dissociativo de identidade

É possível que todos nós já tenhamos experimentado alguma falha nessa integração. Por exemplo, já me aconteceu algumas vezes de dirigir para um lugar e perceber que não me lembrava do percurso que havia feito. Preocupação com assuntos pessoais, um programa no rádio ou uma conversa com um passageiro podem ter facilitado essas ocorrências. Essa falha / dissociação, porém, não é patológica, pois não compromete a noção de “eu” e em nada atrapalha as atividades cotidianas.

Por outro lado, há pessoas que, durante essas falhas / dissociações, têm sua integração do “eu” rompida (ainda que temporariamente). Essa é uma importante característica dos chamados Transtornos Dissociativos.

Quando ocorre essa perda de continuidade da experiência pessoal, a pessoa pode sofrer intrusões espontâneas na consciência, ou seja, pode ser invadida por pensamentos, emoções, memórias etc., objetivas ou fantasiadas.

Também pode ser afetada por sensações de despersonalização e desrealização (observar a si mesmo de fora do corpo / sentir que o mundo não é real).

Nesse contexto, a fragmentação da identidade pode surgir como resultado: em vez de um todo integrado, o sujeito passa a viver como dois ou mais “todos integrados”, que se alternam em sua manifestação e consciência. É o Transtorno Dissociativo de Identidade.

TRANSTORNO DISSOCIATIVO DE IDENTIDADE E SUAS HISTÓRIAS PSICOLÓGICAS

Antigamente, o transtorno dissociativo de identidade era chamado de “transtorno de personalidades múltiplas” (ainda hoje há quem o conheça assim).

O transtorno se caracteriza pela existência de dois ou mais estados de personalidade (“alter egos” ou identidades) que se alternam.

Autores dedicados ao tema tendem a apontar que a causa para o transtorno se encontra em trauma infantil.

Isso porque, nas crianças, o senso de identidade precisa ser desenvolvido.

Em crianças expostas a estresse psicológico opressivo (decorrente de abusos, negligência, maus tratos, perdas importantes ou doenças graves), partes do que seria integrado permanecem separadas.

Enquanto a maioria das crianças desenvolve uma compreensão complexa e coesa de si e dos outros, essas crianças traumatizadas na infância podem desenvolver a capacidade de escapar da dor psicológica “se distanciando”, ou seja, se desconectando de seus ambientes físicos adversos — ou buscando refúgio em suas próprias mentes. Cada fase do desenvolvimento ou experiência traumática pode ser utilizada para gerar uma identidade diferente.

COMO É A PESSOA COM TRANSTORNO DISSOCIATIVO DE IDENTIDADE

A manifestação das diferentes identidades varia.

Elas tendem a ser mais evidentes quando as pessoas estão sob grande estresse. A fragmentação da identidade costuma levar à amnesia assimétrica, na qual o que é conhecido por uma identidade pode ou não ser conhecido por outra. Algumas identidades parecem conhecer e interagir com outras em um mundo interno complexo, e algumas identidades interagem mais do que outras.

Ainda conforme sua manifestação, o transtorno dissociativo de identidade pode ter a forma de:

– Possessão

Na forma de possessão, as identidades múltiplas são facilmente visíveis para qualquer observador externo, pois se manifestam como se fossem agentes externos, uma outra pessoa, um ser ou espírito sobrenatural que assumiu o controle da pessoa, fazendo com que a ela fale e aja de uma maneira muito diferente.

Em muitos grupos humanos, estados de possessão são parte da prática cultural ou espiritual. A forma de possessão que ocorre no transtorno dissociativo de identidade difere pelo fato de que a identidade alternativa é indesejada, ocorre involuntariamente, causa grande sofrimento psicológico e se manifesta em tempos e lugares que não atendem a normas culturais e/ou religiosas.

– Não possessão

Formas de não possessão são menos evidentes.

Nelas, pacientes experimentam sentimentos de despersonalização / desrealização. Sentem-se irreais, retirados de si, desconectados do próprio corpo-mente.

Pacientes reportam que se sentem como observadores de suas vidas, como se estivessem em um filme sobre o qual não têm nenhum controle.

Podem ter uma experiência corporal diferente; por exemplo, sentir-se no corpo de uma criança ou de alguém do sexo oposto.

Podem ter pensamentos repentinos, impulsos e emoções que não sentem como seus, que se manifestam como fluxos de pensamento ou como vozes.

Atitudes, opiniões e preferências (em relação a alimentos, roupas e outros interesses) podem mudar subitamente.

Outros sintomas

Transtorno dissociativo de identidade

Pacientes com transtorno dissociativo de identidade podem ter alucinações visuais, táteis, olfativas e gustativas. Por esse motivo, muitas vezes são diagnosticados como psicóticos.

A literatura aponta ainda que pacientes com transtorno dissociativo de identidade têm maior prevalência em depressão, ansiedade, abuso de drogas, automutilação, crises não epilépticas, comportamento suicida e disfunção sexual.

Tratamento

A integração dos estados de identidade é o desfecho mais desejável para o tratamento do transtorno dissociativo de identidade.

Fármacos são amplamente utilizados para ajudar a tratar os sintomas de depressão, ansiedade, impulsividade e abuso de substâncias, mas não aliviam a dissociação propriamente dita.

A primeira prioridade da psicoterapia é estabilizar os pacientes e garantir a segurança, antes de avaliar experiências traumáticas e explorar identidades problemáticas e razões das dissociações.

A hipnose pode ajudar a acessar as identidades, facilitando a comunicação entre elas e as estabilizando e interpretando. Alguns terapeutas se envolvem e interagem diretamente com os estados de identidade dissociados na tentativa de facilitar a sua integração.

Técnicas modificadas de exposição podem ser usadas para dessensibilizar gradualmente os pacientes de memórias traumáticas que, algumas vezes, só são toleradas em pequenos fragmentos.

Conforme as razões para as dissociações são abordadas e trabalhadas, a terapia pode se mover para a reintegração, integrando e reabilitando os egos alternativos, os relacionamentos e os funcionamentos sociais do paciente. Alguma integração pode ocorrer espontaneamente durante o tratamento. A integração pode ser encorajada por meio da negociação com as identidades, arranjando sua unificação, ou pode ser facilitada usando sugestão hipnótica ou orientada por imaginação.

Pacientes traumatizados, particularmente durante a infância, podem esperar novos abusos durante a terapia e desenvolver reações de transferência complexas ao terapeuta. Discutir esses sentimentos compreensíveis é um componente importante da psicoterapia eficaz.


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