Artigos

INTROVERTIDOS MANTÉM MELHOR SAÚDE MENTAL DURANTE A PANDEMIA

Atenção, introvertidos: novo estudo examina como traços de personalidade podem influenciar a resiliência

INTROVERTIDOS
  • Nova pesquisa sugere que pessoas extrovertidas ficaram mais mal-humoradas durante a pandemia, enquanto os introvertidos estiveram ligeiramente mais bem-humorados que o habitual.
  • A piora no humor foi mais intensa para pessoas com menos características neuróticas em relação às pessoas com mais traços neuróticos. (Saiba mais sobre neurose AQUI)
  • Os resultados reforçam a ideia de que certos traços de personalidade podem ser mais benéficos que outros em determinadas situações. (Saiba mais sobre personalidade AQUI) 
INTROVERTIDOS

Traços de personalidade têm demonstrado forte relação com saúde e bem-estar mental. Também têm se mostrado componentes importantes da capacidade de lidar com situações difíceis e estressantes.

De maneira geral, pessoas mais ativas e vivazes (extrovertidas), menos preocupadas, mais persistentes, com melhores habilidades para controlar seus pensamentos e comportamentos tendem a se sair melhor sob pressão. De fato, essa combinação de traços de personalidade já foi descrita como o perfil da personalidade “resiliente”.

Mas nem todas as situações estressantes são iguais. O que promove a resiliência pode, portanto, não ser universal como costuma ser retratado.

A pandemia da COVID-19, por exemplo, tem sido um estressor bastante importante para muitos de nós, mas tem características um pouco diferentes de outros eventos do tipo.

INTROVERTIDOS

UM INTERESSANTE ESTUDO PARA OS INTROVERTIDOS

Para entender de que maneira traços de personalidade podem estar relacionados a um melhor enfrentamento da situação social imposta pela Covid-19, pesquisadores da Universidade de Vermont aproveitaram um estudo que haviam iniciado e que a pandemia interrompeu (Conheça o estudo na íntegra CLICANDO AQUI). A ideia original era relacionar a saúde mental de estudantes universitários com seus níveis de engajamento em atividades de bem-estar (coisas como exercícios físicos, sono adequado, alimentação saudável etc.), durante um semestre.

Antes do início desse semestre, os alunos preencheram uma série de escalas de classificação, uma das quais avaliava traços de personalidade de acordo com o modelo “Big Five” (neuroticismo, extroversão, abertura a novas experiências, simpatia e consciência). Os alunos, então, atribuíram classificações diárias para seu humor, nível de estresse e engajamento em atividades de promoção de bem-estar, usando um aplicativo para smartphone.

No meio do semestre, porém, com o agravamento da pandemia, os alunos foram subitamente enviados para suas casas, e continuaram seus estudos remotamente.

Embora o objetivo inicial do estudo tivesse sido inviabilizado, a maioria dos alunos continuou a fazer suas classificações diárias no aplicativo, e isso trouxe a oportunidade de acompanhá-los durante a pandemia, comparar essas classificações com as obtidas antes da pandemia, e compreender como traços de personalidade podem se relacionar a esses resultados.

COMO A PERSONALIDADE AFETOU A SAÚDE MENTAL NA PANDEMIA

Os pesquisadores descobriram que os traços de personalidade dos estudantes estavam, de fato, significativamente relacionados ao humor, aos níveis de estresse e ao engajamento em atividades de bem-estar.

No geral, a pandemia não estava ajudando o humor das pessoas, nem incentivando o engajamento em estilos de vida saudáveis. Curiosamente, no entanto, os níveis de estresse diminuíram.

O mais interessante foi como os traços de personalidade estavam associados às mudanças na saúde mental quando se comparavam as situações pré e pós início da pandemia. As pessoas mais extrovertidas apresentaram piora na classificação de humor, enquanto os sujeitos mais introvertidos relataram uma ligeira melhora em seu humor.

Padrão semelhante ocorreu em relação ao neuroticismo, característica relacionada à maior tendência a experimentar emoções negativas, como ansiedade ou tristeza. Aqui, os alunos com baixo nível nessa característica (ou seja, “menos neuróticos”) demonstraram uma piora mais acentuada no humor do que os estudantes com níveis mais elevados de neuroticismo (ou “mais neuróticos”).

O QUE PODEMOS CONCLUIR DESSE ESTUDO?

O primeiro resultado que podemos ressaltar é que certos traços de personalidade fazem diferença quando se trata de enfrentar situações adversas (não se trata de rotular as pessoas, porque, até certo ponto, podemos modificar nossas características pessoais).

Em segundo lugar, é preciso ter cuidado ao assumir que situações estressoras são iguais ou que certos fatores de resiliência podem ser aplicados universalmente. Sujeitos introvertidos geralmente não são considerados eficientes quando se trata de resiliência, mas a introversão parece ajudar no enfrentamento de algumas das características peculiares da pandemia da Covid-19.

Esses dados nos lembram que as características pessoais não devem ser consideradas inerentemente boas ou ruins, e que certas qualidades menos “prestigiadas” socialmente podem se mostrar úteis em algumas situações difíceis.

Referências

Personality trait predictors of adjustment during the COVID pandemic among college students. Março 2021. Em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0248895


VEJA TAMBÉM

https://rgpsicologia.blog/


FALE COM O PSICÓLOGO RODRIGO GIANNANGELO

Deixe uma resposta