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Transtorno Dismórfico Corporal, a Feiura Imaginária

O Transtorno Dismórfico Corporal é uma psicopatologia que ocorre quando as preocupações com a aparência corporal são severamente angustiantes e envolvem grave insatisfação com defeitos físicos, parcial ou completamente fantasiados.

Transtorno Dismórfico Corporal

O Transtorno Dismórfico Corporal, que já foi chamado de “angústia da feiura imaginada”, costuma se manifestar na adolescência e atinge cerca de 2,4% da população dos EUA.

As pessoas afetadas costumam ser tão insatisfeitas com sua aparência que podem chegar a descrevê-la como “monstruosa”. Estima-se que cerca de 80% dos pacientes têm ideação suicida em algum momento da doença e quase 30% chegam a tentar suicídio (Katharine A. Phillips, American Journal of Psychiatry, 1991).

Os afetados muitas vezes têm sintomas obsessivo-compulsivos. Podem passar bastante tempo pensando e lamentando seus defeitos, olhando-se no espelho, penteando excessivamente o cabelo e tentando esconder as áreas do corpo que mais incomodam com roupas ou maquiagem.

Em quadros mais severos, algumas pessoas deixam de sair de suas casas, envergonhadas da própria aparência. 

É importante dizer que o Transtorno Dismórfico Corporal vai muito além das preocupações corriqueiras que muitas pessoas têm com sua aparência.

Transtorno Dismórfico Corporal

O famoso paciente de Freud, o “Homem dos Lobos”, por exemplo, é descrito como alguém tão fixado em seu nariz que tinha sido “arruinado” pela eletrólise (usada para tratar suas glândulas sebáceas nasais obstruídas) que negligenciou sua vida diária, engajado em observar-se constantemente em espelhos, e “sentiu-se incapaz de continuar vivendo em… seu estado irreparavelmente mutilado”, embora “nada fosse visível” para os outros.

Muitos pacientes procuram procedimentos estéticos (cirurgias, procedimentos dermatológicos, entre outros), dos quais sempre acreditam ter saído sem sucesso, inclusive podendo levar a um sentimento de hostilidade em relação ao médico responsável pelo tratamento. Até 15% dos pacientes de procedimentos estéticos dermatológicos e até 8% dos que se apresentam para cirurgias estéticas sofrem do transtorno (DSM-5).

A classificação do Transtorno Dismórfico Corporal é controversa. Tem características de um transtorno de ansiedade, bem como de um transtorno obsessivo-compulsivo. No DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico), encontra-se dentro dos “transtornos obsessivo-compulsivos” e relacionados, e no CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), sob “distúrbios hipocondriais”. Há também comorbidades psiquiátricas consideráveis, incluindo ansiedade (por exemplo, na forma de fobia social), depressão (comorbidade mais comum) e sintomatologia obsessiva-compulsiva.

RELAÇÃO DO PESO COM O TRANSTORNO DISMÓRFICO CORPORAL

Em um importante estudo (Kittler et al, Comportamentos Alimentares, 2007), 29% dos participantes tinham preocupações com o peso, em especial jovens do sexo feminino, e ter mais áreas de preocupação corporal, maiores distúrbios de imagem corporal, depressão e tentativas de suicídio.

De modo geral, esse subgrupo de pacientes apresentava pior funcionamento social. Apenas 3,5% relataram que os problemas de peso eram sua principal preocupação.

A conclusão da pesquisa foi que o limite diagnóstico entre transtorno dismórfico corporal e distúrbios alimentares muitas vezes não é bem definido.

Transtorno Dismórfico Corporal

Em outro estudo (Sarwer et al, Journal of Consulting and Clinical Psychology, 1998) com 79 obesos, seis apresentaram níveis de angústia, comprometimento e preocupação consistentes com o diagnóstico de Transtorno Dismórfico Corporal.

Mufaddel et al (The Primary Care Companion for CNS Disorders, 2013) enfatizam que, embora a obesidade e os transtornos alimentares possam incluir distúrbios na imagem corporal e até mesmo Transtorno Dismórfico Corporal, esta relação não ocorre em todos os casos.

Hrabosky et al (Imagem Corporal, 2009) compararam a imagem corporal entre 187 pacientes com distúrbios alimentares, Transtorno Dismórfico Corporal e um grupo de controle. Os pesquisadores encontraram níveis significativamente mais elevados de comprometimento da imagem corporal em pacientes com anorexia nervosa, bulimia nervosa e Transtorno Dismórfico Corporal em comparação com o grupo controle. Em geral, porém, aqueles com Transtorno Dismórfico Corporal tinham menos preocupações com seu peso e forma corporal do que aqueles com distúrbios alimentares e mais preocupações com o rosto e o cabelo, e passavam mais tempo verificando espelhos e encobrindo suas imperfeições percebidas. Além disso, os pesquisadores descobriram que aqueles com Transtorno Dismórfico Corporal apresentaram maiores distúrbios globais de imagem corporal e mais comprometimento em sua qualidade de vida do que o grupo de controle ou aqueles com distúrbios alimentares. 

O cantor Michael Jackson era obcecado com seu nariz. Submeteu-se a um número desconhecido de cirurgias para modificá-lo.

Embora ainda haja muito a aprender sobre o TDC, hoje existem boas opções de tratamentos, incluindo psicoterapia e medicamentos como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina.


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